Milhares de agricultores irlandeses protestam contra o acordo comercial da UE com o bloco sul-americano Mercosul, um dia depois de os estados da UE terem aprovado o acordo, apesar da oposição da Irlanda e da França.
Tratores invadiram as estradas de Athlone, no centro da Irlanda, para a manifestação, exibindo cartazes com o slogan “Parem UE-Mercosul” e a bandeira da UE estampada com as palavras “esgotado”.
Os protestos seguiram-se a ações semelhantes na sexta-feira na Polónia, França e Bélgica, quando a UE deu luz verde ao acordo comercial, que foi bem recebido por grupos empresariais, mas fortemente criticado pelos agricultores europeus.
O acordo, que levou mais de 25 anos para ser elaborado, criaria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, impulsionando o comércio entre os 27 países da UE e o bloco Mercosul, formado por Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai.
As principais exportações do Mercosul para a UE incluem produtos agrícolas e minerais, enquanto a UE exportaria máquinas, produtos químicos e farmacêuticos aos quais seriam aplicadas tarifas reduzidas.
Mas muitos agricultores europeus temem que os seus meios de subsistência sejam prejudicados por um fluxo de produtos mais baratos do gigante agrícola Brasil e dos seus vizinhos, levando a Irlanda, a França, a Polónia, a Hungria e a Áustria a votarem contra o acordo.
Os agricultores irlandeses opõem-se amplamente ao acordo, temendo que resulte num influxo adicional de 99 mil toneladas de carne barata da América do Sul, perturbando a agricultura irlandesa.
A Associação de Agricultores Irlandeses (IFA), o principal grupo de lobby dos agricultores da Irlanda, considerou o resultado muito decepcionante e disse que iria renovar o seu foco em garantir uma maioria contra o acordo no Parlamento Europeu.
“Esperamos que os eurodeputados irlandeses apoiem a comunidade agrícola e rejeitem o acordo do Mercosul”, disse a presidente da IFA, Francie Gorman, num comunicado.
No início desta semana, o taoiseach (primeiro-ministro) irlandês Micheál Martin expressou preocupação pelo facto de a carne bovina do Mercosul não estar a ser produzida de acordo com os rigorosos padrões ambientais da UE, dizendo que as pessoas tinham de confiar que os padrões e obrigações estabelecidos para os agricultores irlandeses não seriam prejudicados por importações com regulamentações menos rigorosas.
No protesto de sábado, os agricultores exibiram cartazes pedindo um “Irexit” e acusando as exportações de carne bovina do bloco latino-americano de não seguirem os mesmos padrões.
O acordo com o Mercosul também terá de ser acordado pela maioria dos eurodeputados na Assembleia Europeia nos próximos meses, onde as coligações eleitorais se tornaram mais voláteis e imprevisíveis.