fevereiro 10, 2026
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Os promotores anunciaram que nesta segunda-feira vão apresentar queixa contra Ricardo Roa, presidente da maior empresa colombiana, Ecopetrol, por suas atividades como gestor da campanha presidencial de Gustavo Petro nas eleições de 2022. A acusação, disse à imprensa Raul Gonzalez, porta-voz da unidade anticorrupção do Ministério Público, decorre do facto de os procuradores o acusarem de violar os limites de financiamento de campanha, um crime punível com 4 a 8 anos de prisão. Também sobre a “questão do tráfico de influência a favor do senhor Juan Guillermo Mancera”, um coronel reformado que ajudou Roa a comprar um apartamento por um preço baixo e depois beneficiou de um contrato com uma petrolífera.

A notícia aumenta a pressão sobre o engenheiro depois que o Conselho Nacional Eleitoral sancionou a campanha presidencial que ele liderou em novembro deste ano por violar os limites de financiamento em mais de 5,3 bilhões de pesos (1,4 milhão de dólares). Esta sanção, que implicou uma multa de 6 mil milhões de pesos, foi apenas administrativa, não judicial e, em menor medida, criminosa. A CNE anunciou então que iria certificar cópias contra Roa ao Ministério Público. Num comunicado feito esta segunda-feira, esta estrutura indica que decidiu abrir um novo processo-crime contra o responsável da petrolífera.

Ricardo Roa é uma das pessoas mais próximas de Peter. O Presidente apoiou-o desde o início das acusações, especialmente quando lhe perguntaram se deveria deixar a empresa, que é importante para o Orçamento do Estado pelos lucros que gera ano após ano. A gestora manteve o apoio do conselho de administração, onde o governo controla sete dos nove assentos, pois detém 88,49% das ações. Isso apesar da sombra que a campanha carrega sobre a gestão financeira em questão, bem como das denúncias de favorecimento ou uso indevido de recursos contratuais que mediram o impacto na reputação da empresa em decorrência das investigações contra Roa.

Soma-se a isso a compra de um apartamento no norte de Bogotá, que Roa adquiriu de uma empresa do empresário Serafino Iacono, anteriormente conhecido por seu trabalho na petrolífera Pacific Rubiales, e hoje atua no negócio de gás. O acordo habitacional aconteceu antes de o ex-gerente de campanha ingressar na Ecopetrol por decisão do presidente, mas depois de vencer as eleições de junho de 2022. Mancera, coronel reformado, disse ter facilitado a compra. O alarme soou quando a Ecopetrol contratou a sua empresa Gaxi SA ESP para regaseificar o gás importado: uma pequena empresa com pouca experiência, que tinha celebrado um contrato muito delicado com potencial para lucrar milhões.

No mês passado, Iacono negou qualquer irregularidade. “No que diz respeito à compra do apartamento pelo senhor Ricardo Roa, presidente da Ecopetrol, esclareci à comunicação social que se tratava de um negócio exigido por lei e transmiti prontamente toda a informação às autoridades competentes”, afirmou em declaração pública em Janeiro. O Ministério Público está agora apurando não só como ocorreu a compra da Roa, mas também se se pode falar em especulação de influência para seu bem. “Fui alvo de uma campanha difamatória”, disse Roa no ano passado em resposta às queixas, explicando que nenhum contrato tão grande da Ecopetrol poderia ser adjudicado unilateralmente.

Referência