janeiro 21, 2026
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Haverá protestos massivos nas ruas de Minnesota nesta sexta-feira. Chamado de “Dia da Verdade e da Liberdade” (Dia da Verdade e da Liberdade), sindicatos, organizações comunitárias e grupos religiosos apelaram à população para não trabalhar, ir à escola ou fazer compras durante o dia. A paralisação deste dia faz parte da resposta contínua ao destacamento massivo de agentes federais de imigração no estado e ao assassinato de Renee Nicole Good, uma cidadã norte-americana morta por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) no início de janeiro.

Dia da Verdade e da Liberdade

O apelo pede um encerramento simbólico e uma mobilização centralizada em Minneapolis. Uma marcha e um evento público estão planejados para as 14h. no centro da cidade, que os organizadores descrevem como um evento não violento que visa demonstrar o peso económico e social do protesto, em vez de um confronto directo com as autoridades.

O protesto ocorre em meio a altas tensões após o aumento da presença federal em Minnesota. A administração de Donald Trump enviou quase 3.000 agentes ao estado, no que diz ser a maior operação de fiscalização da imigração até à data. Os organizadores afirmam que mais de 2.400 pessoas foram detidas em operações nas últimas semanas, visando não apenas migrantes sem estatuto legal, mas também residentes legais e cidadãos dos EUA.

O caso Renee Goode tornou-se o principal símbolo desta escalada. Uma mãe de três filhos, de 37 anos, morreu depois de ser baleada várias vezes por um agente do ICE em Minneapolis. A versão do governo federal afirma que Goode usou seu carro como arma para tentar matar o agente, mas as autoridades locais, testemunhas e imagens de vídeo contestam a história, alimentando a indignação pública e os protestos que se multiplicaram em cidades de todo o estado e país.

Quem está participando?

Por trás do Dia da Verdade e da Liberdade está uma coalizão de várias organizações. Os sindicatos participantes do evento incluem SEIU Local 26, Communications Workers of America, Unite Here e Minneapolis-St. Federação Paulina de Professores, bem como organizações religiosas e grupos de direitos civis. Os seus líderes descrevem a iniciativa como uma resposta ao que consideram um clima crescente de medo nos locais de trabalho, escolas e bairros onde a presença de agentes federais perturbou a vida quotidiana.

Os líderes sindicais sublinham que, embora nem todos os trabalhadores possam estar legalmente ausentes dos seus empregos, a participação assumirá diferentes formas, dependendo da capacidade de cada sector. Ressaltam também que o objetivo do protesto é exercer pressão coletiva e tornar visível o papel do trabalho na economia do estado. Alguns sindicatos relataram que pelo menos vinte dos seus membros já tinham sido detidos em recentes operações de imigração.

Paralisação econômica e demandas

A componente económica é central para a estratégia. Pelo menos sete cooperativas de alimentos nas áreas metropolitanas de Minneapolis, St. Paul e Stillwater anunciaram que fecharão suas portas na sexta-feira, embora continuem a pagar seus funcionários. Outras pequenas empresas manifestaram o seu apoio e fecharão em solidariedade ou tornar-se-ão espaços comunitários durante o dia. Os organizadores também pedem a proibição de qualquer tipo de consumo, o que chamam de “paralisação econômica” com o objetivo de demonstrar o poder coletivo da população.

Os organizadores pedem que o ICE deixe imediatamente Minnesota, que o agente que matou Renee Goode, Jonathan Ross, seja responsabilizado, que seja realizada uma investigação sobre possíveis violações constitucionais e dos direitos humanos, e que o Congresso revogue ou corte o financiamento da agência no próximo orçamento federal. Eles também apelam às empresas estatais para que cortem relações com o ICE e se recusem a cooperar com as suas atividades.

Resposta do governo

O Departamento de Segurança Interna acusou os organizadores de tentarem paralisar a economia para proteger os criminosos e confirmou que o agente agiu em legítima defesa. A Casa Branca, por sua vez, não fez comentários oficiais sobre o acontecimento de sexta-feira.

Referência