janeiro 19, 2026
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Em 22 de janeiro de 1926, o hidroavião Plus Ultra decolou de Palos de la Frontera em uma missão que marcaria uma virada na história da humanidade. Força Aérea e para a projeção internacional da Espanha. A partida veio de um enclave repleto de simbolismo histórico, o mesmo de onde foram lançadas expedições decisivas para a história mundial há séculos.

A operação foi concebida como uma tarefa técnica e militar de primeira ordem. Não se tratava apenas de cruzar o Atlântico Sul, mas também de demonstrar que a aviação espanhola estava preparada para voos intercontinentais numa época sem sistemas de navegação avançados e suporte tecnológico moderno. O projecto contou com apoio institucional do Estado e foi integrado na estratégia de prestígio nacional.

Missão de âmbito estratégico e simbólico

O voo Plus Ultra tinha um duplo propósito. Por um lado, para confirmar as capacidades operacionais da aviação militar espanhola. Por outro lado, estabelecer uma ponte aérea simbólica entre a Espanha e a América, fortalecendo os laços históricos, culturais e políticos com a Argentina. O sucesso da missão colocou a Espanha na vanguarda dos grandes voos transoceânicos da década de 1920.

O planejamento foi meticuloso. Cada etapa, cada escala e cada cálculo de consumo de combustível foram ajustados ao mínimo grau de erro possível. A viagem envolveu a travessia de milhares de quilômetros de oceanos e zonas tropicais com clima imprevisível, tornando o voo uma tarefa arriscada.

A tripulação que tornou a façanha possível

O Plus Ultra era tripulado por quatro soldados que representavam a elite técnica da época. O comandante Ramon Franco era o piloto chefe, acompanhado pelo capitão Julio Ruiz de Alda como navegador. A tripulação incluía o tenente Juan Manuel Durán e o mecânico Pablo Rada, cujo trabalho foi fundamental para manter a aeronave operacional durante toda a viagem.

Os fatores determinantes foram a coesão da equipe e a disciplina militar. Cada membro assumiu responsabilidades críticas num ambiente onde qualquer falha poderia ser fatal. A navegação foi realizada através de cálculos astronômicos e referências visuais, sem meios eletrônicos.

Uma rota que liga dois continentes

O percurso desenvolvido combinou ambição e prudência. Depois de decolar de Palos, o hidroavião fez escalas em Las Palmas de Gran Canaria e Cabo Verde antes de realizar o salto mais delicado através do Atlântico. Posteriormente desembarcou em Fernando de Noronha, Recife e Rio de Janeiro, hoje no Brasil.

A etapa final levou a Buenos Aires, onde o Plus Ultra completou uma viagem de mais de 10 mil quilômetros e quase 60 horas de voo eficiente. Cada parada foi utilizada para reabastecer, testar o aparelho e coletar informações meteorológicas importantes para a próxima etapa.

Um hidroavião que fez história

A aeronave escolhida foi o Dornier Do J Wal, hidroavião bimotor de fabricação alemã conhecido por sua robustez e confiabilidade. Seu casco e configuração metálica permitiram pousar com segurança em mar aberto, característica importante das travessias do Atlântico.

O Plus Ultra foi adaptado especificamente para esta missão, com tanques de combustível maiores e alterações técnicas que visam maximizar a autonomia. Essas modificações transformaram o aparelho em um padrão tecnológico de sua época.

Chegada a Buenos Aires e sua influência internacional

Em 10 de fevereiro de 1926, dezenove dias após a partida, o Plus Ultra desembarcou no Rio de la Plata. Chegar a Buenos Aires foi um grande acontecimento. Milhares de pessoas aceitaram a tripulação como símbolo do progresso tecnológico e da união entre Espanha e Argentina.

O sucesso do voo teve ampla ressonância internacional e fortaleceu o prestígio da Força Aérea. A travessia demonstrou que o Atlântico já não era uma barreira intransponível e que a Espanha podia competir no domínio da aviação de longo alcance.

Um gesto de fraternidade que decidiu a história

Como culminação simbólica do feito, o rei Alfonso XIII presenteou o povo argentino com o hidroavião Plus Ultra. O aparelho tornou-se uma prova material do feito e um emblema da irmandade entre os dois países.

Cem anos depois, a missão Plus Ultra continua a ser uma referência do espírito de excelência da Força Aérea. Esta viagem não só abriu novas rotas aéreas, mas também cimentou uma visão estratégica que levou Espanha para além das suas fronteiras e deixou uma marca indelével na história da aviação.

Referência