janeiro 14, 2026
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“Bem, sim, eles me enganaram.” Assim começa o depoimento de uma das dezenas de pessoas que se inscreveram na corrida supostamente temática. Guerra nas estrelas e eventualmente foram vítimas de fraude na Cidade do México. A onda de reclamações levou a Secretaria Federal de Defesa do Consumidor (Profeco) a emitir um alerta.

A história começou a se espalhar nas redes sociais e em fóruns esportivos, onde corredores lesionados começaram a relatar experiências quase idênticas. Os participantes pagaram taxas de inscrição que variaram de MXN 400 a MXN 700. Porém, ao se dirigirem ao local do encontro para retirar os pacotes pré-evento, que incluíam pelo menos uma camiseta com referência à saga criada por George Lucas, descobriram um cenário devastador: ninguém compareceu ao encontro e não houve vestígios da organização do evento.

A entrega dos pacotes para a corrida, que estava prevista para acontecer no icônico Paseo de la Reforma no dia 10 de janeiro, foi planejada no estacionamento do Auditório Nacional. Ali, dezenas de pessoas aguardavam sem receber qualquer explicação. Um dos corredores fraudados gravou um vídeo que mais tarde se tornou viral no TikTok. “Vim buscar um pacote para a corrida de Star Wars e foi uma farsa. Todo o pessoal está aqui esperando. Que piada, uma farsa nojenta. A MR Sports Events é quem dançou com a gente porque não tem nada, nem entrega de pacotes. Pura farsa. Que pena que isso está sendo feito no México. Vamos até processar a empresa; até comprei meu terno”, disse.

À medida que as reclamações se acumulavam, o modus operandi do Mundo Runner tornou-se evidente: os organizadores promovem corridas com temas diferentes e atraentes nas redes sociais; a seguir, supostamente inspirado na série Merlina da Netflix. Utilizando imagens de outros eventos, bem como de outros eventos supostamente gerados por inteligência artificial, solicitam pagamentos via transferências bancárias, tanto em nome de pessoas físicas quanto em nome da empresa Eventos Deportivos MR SA de CV. Ele também se vangloriou dos apelos à cooperação com os governos locais. Além disso, em suas plataformas também transmite corridas organizadas por outras empresas consolidadas do setor, como a As Deporte, o que contribui para a confusão dos consumidores.

Outra vítima partilhou um depoimento no qual admitiu que considerou o processo de registo “fraudulento”, mas acabou por transferir o dinheiro para uma conta do Banort. A corredora contou ao EL PAÍS que pensou em cadastrar o pai, mas ao ver que o pagamento precisava ser transferido para uma conta individual, desistiu porque lhe parecia atípico.

No momento em que este livro foi escrito, o site Mundo Runner continuava anunciando uma corrida Star Wars em Guadalajara (17 de janeiro), outra corrida Merlin na Cidade do México (18 de janeiro) e outra corrida Star Wars em Puebla (31 de janeiro). Em dezembro passado, em Monterrey, o Parque Fundidora emitiu um comunicado alertando sobre supostas fraudes e distanciando-se de três corridas que Mundo Runner disse que seriam realizadas no local em datas diferentes: Ugly Sweater Run 2025, Star Wars Run 2026 e Merlina Run 2026. “Esta organização descentralizada não reconhece a organização de tais eventos dentro do Parque Fundidora”, afirmou o parque.

Uma onda de reclamações chegou à Profeco, que alertou para a suposta fraude. “Foram detectadas taxas de registo de corridas inexistentes. Recomendamos que não confie neste fornecedor e não pague por transferência”, afirmou a agência.

Outro aspecto delicado da questão é o uso de marcas globais como Star Wars ou Merlina. A utilização de símbolos, logótipos ou nomes registados sem a devida autorização não só viola os direitos de propriedade intelectual, como também pode resultar em graves sanções civis e até criminais. Embora se acumulem possíveis consequências legais, dezenas de atletas continuam a suportar a frustração de competir numa corrida que nunca existiu.



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