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Martha Galisteo Gomezcomunicadora e autora de O truque das belas palavras, sempre deixou claro que a história que conta nestas páginas corresponde estritamente às reais necessidades emocionais da infância e, portanto, pode ser usada com segurança em casa e na sala de aula. “Livro Não se destina a ensinar lições ou diagnosticar.“Mas para iniciar uma conversa, ofereça uma ferramenta simples e simbólica que motive crianças, famílias e educadores a pensarem no poder das palavras e na importância do respeito.”

Por que as crianças dizem palavras feias?

Como mãe e como autora, acredito que muitas vezes as crianças dizem palavras feias sem perceber o mal que podem causar. Eles repetem o que ouvem, testam limites ou usam palavras como forma de expressar seus sentimentos quando não sabem expressar o que sentem de outra forma. Nesta história, Leah, a personagem principal, não é má: ela simplesmente não entende o efeito que suas palavras têm até ver como isso afeta os outros.

É importante dizer-lhes qual o impacto que isto tem nas crianças afectadas?

Acho que sim, e esse é o cerne da história. As crianças nem sempre entendem conceitos abstratos, mas entendem muito bem imagens e emoções. Mostrar visualmente que uma palavra pode fazer outra pessoa se sentir “menor por dentro” ajuda-os a se colocarem no lugar da outra pessoa. Não se trata de culpar, mas de ajudá-los a desenvolver gradativamente empatia.

Como os pais podem corrigi-los neste caso?

Não sou psicóloga, então a história é examinada por profissionais, mas do meu ponto de vista, ao invés de corrigir por meio de punição, é importante acompanhar e fazer com que as pessoas entendam. Pare o comportamento, explique calmamente por que a palavra é inadequada e ofereça alternativas. A história insiste muito no que me parece fundamental: não basta dizer “desculpe” automaticamente, mas devemos aprender a corrigir e compreender que o que dizemos deixa uma impressão nos outros (tanto boa quanto má).

Você acha que os pais se envolvem nessa questão ou tendem a ignorá-la por considerá-la infantil?

Acho que muitas vezes é subestimado porque todos nós crescemos ouvindo que “isso é coisa de criança”. Mas estas palavras, mesmo que pareçam pequenas, permanecem. Por isso quis escrever esta história: para iniciar conversas em casa e lembrar que a educação emocional começa no dia a dia, na forma como falamos uns com os outros e como falamos na presença deles.

Como isso pode afetar suas relações sociais?

Sem entrar na análise profissional, acredito que as palavras podem indicar como uma criança se relaciona com os outros. Eles podem causar rejeição, medo ou incerteza, e também podem isolar a pessoa que os diz, como Leah faz quando seus colegas param de brincar com ela. A história mostra que a linguagem afeta não apenas quem recebe o insulto, mas também quem o utiliza.

Que fórmulas você recomenda para reconciliar crianças que foram maltratadas?

A chave para a mensagem da história é o perdão sincero, uma mudança de atitude e de tempo. Foi importante para mim deixar claro que o objectivo não é que as crianças fiquem presas numa culpa sem esperança ou sintam que o que disseram não pode ser resolvido. A história mostra que os danos nem sempre são apagados imediatamente, mas com a atitude certa podem ser corrigidos; Ou seja, todas as palavras têm significado, inclusive as bonitas. Pedir perdão de verdade, colocar-se no lugar do outro e compensar essas palavras feias com palavras bonitas ditas repetidas vezes com amor ajuda a curar.

Esse é o papel apenas da família ou também dos professores nas escolas?

Acho que é um esforço colaborativo. Tanto a família quanto a escola aparecem na história, pois as crianças vivem nos dois mundos. As palavras faladas em casa e as palavras ditas na escola têm o mesmo peso. Por isso o livro pretende ser lido em família, além de ser uma ferramenta em sala de aula para trabalhar a convivência e o respeito.

A quem exatamente esta história é dirigida?

Destina-se principalmente a crianças a partir dos 4 anos, para ser lido com acompanhamento de adultos. Nessa idade a mensagem começa a ser percebida com muita naturalidade e é útil apresentá-la. Também funciona muito bem com crianças mais velhas na escola primária porque as suas metáforas ajudam-nas a pensar sobre a empatia e o impacto das palavras. E, de facto, também desafia os adultos porque nos lembra o poder da nossa própria linguagem, que muitas vezes esquecemos.

Referência