A Rússia mobilizou navios de guerra para proteger um petroleiro que os Estados Unidos se preparavam para apreender. O navio, anteriormente conhecido como Bella 1, foi renomeado como Marinera e supostamente mudou sua bandeira da Guiana para a Rússia.
O petroleiro está sob escrutínio desde o mês passado, quando a Guarda Costeira dos EUA tentou abordá-lo nas Caraíbas depois de obter um mandado por alegadas violações das sanções dos EUA e alegações de que o navio transportava petróleo iraniano. A operação falhou quando o navio mudou repentinamente de rumo. O incidente ocorreu num contexto de intensas tensões entre Washington e Caracas.
No mês passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o que descreveu como um “bloqueio” de petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, uma medida que o governo venezuelano condenou como “roubo”.
Nos dias que antecederam a captura do ex-líder venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA, no sábado, 3 de janeiro, Trump acusou repetidamente o governo venezuelano de usar rotas marítimas para contrabandear drogas para os Estados Unidos.
À medida que o impasse aumenta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia disse que espera que os governos ocidentais respeitem o princípio da liberdade de navegação, sublinhando a crescente dimensão internacional da disputa.
À medida que o petroleiro continua a sua viagem através do Atlântico Norte, a Rússia diz que está “a monitorizar a situação com preocupação” e acusou os Estados Unidos e a NATO de submeterem o navio a um escrutínio “claramente desproporcional”.
Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia afirmou que o navio navega em águas internacionais sob a bandeira russa e opera “em total conformidade com o direito marítimo internacional”. Moscovo acrescentou que espera que as nações ocidentais respeitem esse princípio na prática.
Apesar dos avisos diplomáticos, os responsáveis militares dos EUA sinalizaram que estão preparados para agir. O Comando Sul dos EUA disse numa publicação nas redes sociais que “continua pronto” para apoiar outras agências dos EUA no confronto com navios sancionados que atravessam a região.
“Nossos serviços marítimos são atentos, ágeis e preparados para rastrear embarcações de interesse”, afirmou o comando. “Quando a chamada chegar, estaremos lá.”