Um retorno perturbador à Inglaterra do século XIX.
“Tabu” criado Stephen Cavaleiroirrompe no catálogo da Netflix com uma oferta visualmente perturbadora e narrativamente ambiciosa. A série, lançada originalmente em 2017, agora ganha nova vida na plataforma, conquistando um público ávido por ficção intensa e variada.
O enredo é o seguinte James Keziah Delaneyum homem que retorna a Londres depois de anos na África para assistir ao funeral de seu pai. Mas a sua chegada não marca um simples reencontro familiar, mas sim o início de um conflito mais amplo, no qual interesses políticos, económicos e pessoais estão interligados numa teia de corrupção e violência.
Cena de declínio e poder
A série se destaca por seu cenário meticuloso e sombrio. As ruas escuras de Londres, salas fechadas cheias de segredos e rostos marcados pelo desespero constituem o pano de fundo para um mundo onde o poder é exercido sem remorso.
Delaney, interpretada com vigor por Hardy, é uma personagem retraída, quase selvagem, cuja mera presença causa conflitos entre Coroa britânica, Companhia das Índias Orientais e outros súditos do poder imperial.
Crítica velada à história colonial
Além do drama pessoal, Taboo constrói um discurso crítico sobre a expansão do Império Britânico, as consequências descoberta da América e a colonização da África. A escravidão, a expropriação indígena e a crueldade econômica tornam-se temas recorrentes.
Segundo os criadores, a série é “um retrato da vergonha que a descoberta da América acarretou”, aludindo não só à violência demonstrada nos territórios colonizados, mas também à cumplicidade das instituições europeias.
Tom Hardy, o motor da narrativa
O ator britânico desempenha um de seus papéis mais desafiadores. Seu Delaney é um protagonista silencioso, perturbador e difícil de entender, acrescentando camadas de ambiguidade a uma história já densa. Ao seu lado Oona Chaplin oferece uma atuação sólida e detalhada que realça a natureza trágica da história.
Uma produção arriscada que desafia o espectador
“Taboo” não opta por um ritmo frenético, mas prefere construir seus conflitos lentamente. Cada episódio revela novas alianças, traições e segredos de família que transformam o que parecia um simples drama histórico numa crítica brutal à ambição humana.
A série não economiza em mostrar a selvageria de seu universo. A violência física, a manipulação política e a tensão sexual latente criam um cocktail narrativo difícil de ignorar.
Por que você não pode deixar isso passar?
Em meio à expectativa por grandes lançamentos como a temporada final de Stranger Things, Taboo é apresentado como uma pausa sombria e cerebral do catálogo da Netflix. Seu retorno não é apenas oportuno, mas também necessário, dada a saturação de ficções superficiais.
Com uma produção impecável, um elenco dedicado e uma mensagem que repercute fortemente na atualidade, a série se consolidou como uma das maiores ofertas do ano. E o melhor: agora você pode conferir na íntegra na plataforma.