janeiro 22, 2026
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Tetsuya Yamagami, o homem que atirou no ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe com uma arma de fogo caseira durante um comício de rua em 2022, foi condenado esta quarta-feira à prisão perpétua. O veredicto classifica alguns dos acontecimentos que abalaram o país e o mundo como “vis e extremamente cruéis”, relata a agência japonesa Kyodo.

Abe, talvez o político japonês mais popular em décadas, deixou o cargo de primeiro-ministro quase dois anos antes por motivos de saúde, mas continuou envolvido na vida pública. Ele tinha 67 anos quando foi morto a tiros na cidade de Nara, no oeste do país.

Durante o julgamento, Yamagami admitiu ser o autor do assassinato, mas sua defesa argumentou que a pena de prisão não deveria ultrapassar 20 anos. Seus advogados retrataram Yamagami como vítima de um grupo religioso cuja formação trágica o levou a matar Abe.

Os promotores exigiram a prisão perpétua, argumentando a brutalidade do ataque em plena luz do dia a uma figura pública indefesa, a premeditação do crime para o qual se preparou ao fabricar mais de 10 tipos de armas, as amplas consequências sociais e a irracionalidade do motivo, uma vez que Abe não causou danos financeiros diretos à sua família.

O arguido disse na audiência que guardava rancor contra a Igreja da Unificação, uma seita cristã de origem coreana, porque a sua família sofreu ruína financeira devido às avultadas doações da sua mãe ao grupo religioso, num total de 100 milhões de ienes (cerca de 540 mil euros).

E ele disse acreditar que Abe estava “no centro da atividade política da Igreja da Unificação” no Japão. O então primeiro-ministro foi (e continua a ser) o líder governamental mais antigo do Japão na história constitucional do país e continuou a ser uma figura política influente mesmo após a sua demissão em 2020.

O tribunal considerou Yamagami culpado não apenas de assassinato, mas também de violar os regulamentos sobre armas de fogo sob a Lei de Controle de Armas de Fogo e Espadas.

Referência