janeiro 14, 2026
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A magistrada do tribunal de investigação número três de Palma convocou a chefe da Casa Presidencial do governo das Baleares, Marga Proens do PP, para testemunhar no âmbito da investigação sobre um alegado crime de subterfúgio. Em Novembro passado, o tribunal aceitou uma queixa apresentada por um funcionário com 33 anos de experiência na administração regional, na qual acusava o braço direito do presidente de “manipular” o processo de selecção de “forma injusta e arbitrária” para nomear um familiar sem experiência como motorista da autoridade máxima das ilhas.

Em decisão emitida no final de dezembro, à qual o EL PAÍS teve acesso, a juíza Martina Mora intimou Alejandro Jurado para investigar um suposto crime de evasão no dia 24 de março, mesmo dia em que convocou o familiar que ocupava o banco do motorista. Na denúncia, o responsável alega que, em 2023, o chefe de gabinete do presidente disse que pretendia preencher uma vaga de motorista, que consta da lista de cargos do presidente como nomeados abertamente. No entanto, a vaga foi anunciada na sequência de um concurso baseado no mérito e de uma oferta geral do Serviço de Emprego das Baleares. Entre os candidatos estava outro arguido que tinha laços familiares com o chefe da Casa Civil, que, após receber o resultado da classificação, não foi o primeiro candidato a este cargo.

Após a revisão da posição em que foi deixada, diz a denúncia, os fundamentos da mudança foram “inesperadamente” alterados para incluir a obrigação de apresentar retomar vitae e que a proposta de nomeação de um funcionário temporário será feita em favor da pessoa que o Secretário-Geral considerar mais adequada. O peticionário alega que estes dois novos requisitos se aplicam a processos de nomeação voluntária, e não a concursos baseados no mérito, e estão sendo aplicados ilegalmente. Pouco depois de ingressar no cargo, o novo motorista se envolveu em um acidente, que fez com que o carro do presidente fosse considerado um desastre total. O veículo bateu após prestar serviço ao Proens sem envolvimento de outros veículos.

Na decisão, o juiz pede à polícia local de Palma e à Guarda Civil Rodoviária que enviem ao tribunal um relatório ou relato completo do acidente ocorrido com este condutor numa viatura da empresa no dia 14 de maio de 2024, perto do aeroporto de Palma. Ele também solicitou à seguradora documentação referente ao boletim de ocorrência do acidente. Num acórdão proferido em novembro, a juíza indicou que os factos expostos na denúncia apresentavam características que conduziam à possível existência de um crime de evasão administrativa, pelo que ordenou ao governo das Baleares que fornecesse documentação relacionada com o caso para cobrir este trabalho.

O Governo das Ilhas reitera que a nomeação foi feita de forma voluntária e de acordo com o procedimento estabelecido e que foi fornecida toda a documentação do processo exigida pelo tribunal “para esclarecer quaisquer dúvidas”. Insistem que o júri coopere e esclareça quaisquer dúvidas, “com a tranquilidade de que todo o procedimento está conforme prescrito”.

Referência