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Quase três anos após a aprovação da nova Lei do Jogo de Aragão, o governo do PP na comunidade está ocupado na elaboração de regulamentos com ações como a limitação do número de máquinas caça-níqueis em bares, mas, no entanto, ignora aspectos importantes, como o controle do acesso a essas máquinas para menores ou jogadores que violaram a proibição autoimposta. Isto provocou raiva entre um grupo de vítimas que apela ao executivo regional para implementar legislação para garantir que estes dois grupos vulneráveis ​​não tenham acesso a dispositivos em estabelecimentos hoteleiros.

Os espanhóis jogam cerca de 34 mil milhões de euros anualmente, a grande maioria – quase 30 mil milhões – em apostas pessoais. Entretanto, de acordo com os últimos dados disponíveis, a dívida média das pessoas que procuram ajuda atinge os 26.500 euros. Inúmeros estudos científicos têm identificado os “graves danos” causados ​​pelo jogo, não só em termos individuais, mas também em consequências sociais, económicas ou educacionais, bem como consequências para todo o ambiente do viciado.

Na segunda-feira foi divulgado o Regulamento Geral do Jogo em Aragão, principal instrumento para o desenvolvimento da lei 2023, que surgiu no final do governo de Javier Lamban. Uma decisão que reforçou as restrições aos negócios legais, mas que tem implicações sociais importantes, pois representa um sério problema de saúde. Com dois grupos particularmente sensíveis: os diagnosticados com dependência de drogas e que constam do cadastro de autoproibidos, e os menores.

Sinais luminosos e reclamações sobre veículos recreativos que entrem em conflito com os regulamentos regionais.

Entre as medidas propostas pela regulamentação há três anos está o limite de distanciamento físico de 500 metros entre novos estabelecimentos ou a proibição de levantamento de dinheiro com cartão de crédito nos próprios estabelecimentos de jogo – um dos aspectos mais inovadores e que mais protestos tem causado entre os empregadores. Foram também considerados aspectos de grande relevância mas que aguardavam maior desenvolvimento, como a obrigatoriedade de instalação de dispositivos de acesso e controlo remoto nas máquinas de jogo para melhorar o controlo sobre quem as utiliza.

Agora, o Regulamento do Jogo de Aragão – na fase de informação pública – inclui mudanças importantes que são apreciadas por um grupo de partes afetadas. Por um lado, isto reduz o número máximo de slot machines em estabelecimentos hoteleiros de seis para duas, ou em casos excepcionais para três se forem propriedade do mesmo operador. Também limita o número total de máquinas deste tipo, denominadas B.1, na comunidade e fixa o máximo em 5.600 autorizações, abaixo das 6.200 anteriores. Junto com isso, as salas de bingo são forçadas a fechar o mais tardar às 2h00 – assim como as salas de jogos – duas horas mais cedo do que agora.

No entanto, o Regulamento não regula a implementação de mecanismos de identificação e controlo para máquinas B1 no setor hoteleiro. O poder executivo regional limita-se a continuar a “aprender”, apesar do tempo decorrido desde a aprovação da lei.


Atualmente, muitas máquinas caça-níqueis em Aragão ainda não possuem sinalização visual alertando menores e pessoas proibidas de jogar. Outros, como pode ser visto na foto acima, contêm essas mensagens, mas estão localizados próximos a códigos QR que vinculam às ofertas de jogos da empresa. E em muitos casos, contrariamente aos regulamentos, as máquinas caça-níqueis continuam a ligar e a desencadear o jogo quando estão inativas.

As partes afectadas criticaram o atraso no desenvolvimento destes aspectos-chave da lei. A Associação Aragonesa de Jogadores (Azajer) aprecia as melhorias introduzidas, mas não percebe que o governo aragonês vai mais longe.

“A nossa visão é que a lei deve ser respeitada e hoje não está a ser respeitada”, lembra a sua presidente Miriam Ganyan, que lamenta que as slot machines dos bares não tenham “qualquer tipo de controlo de acesso” e quando “a lei assim o dita”. “Os estímulos sonoros e visuais continuam a ser emitidos, tiveram tempo para cumprir as regras”, lamenta ainda Ganyan, sublinhando que continuam a encontrar “pacientes autoinibidos e menores a brincar em bares”.

“Os salões muitas vezes nem acompanham a publicidade online”, diz ele. E como exemplo cita a recente denúncia de Azaer sobre a suposta violação da Lei do Jogo por parte dos salões do grupo empresarial Alea com mensagens comerciais no Facebook ou Instagram que incentivam a prática de jogos de azar e atraem a atenção de menores.

Referência