O Papa Leão XIV demonstrou o seu “desejo e interesse em vir em breve” ao México “para confiar o seu pontificado à Virgem de Guadalupe”, afirmou esta quarta-feira a Arquidiocese Mexicana de Primazes num comunicado que não especificou a data escolhida pelo pontífice. Esta é uma resposta ao convite do Cardeal Carlos Aguiar Retes, que confirmou a proposta de que os poderes do governo de Claudia Sheinbaum começassem com a cerimónia de início do pontificado. A conversa com o Pontífice surge poucos dias antes do início da peregrinação que a Arquidiocese realizará este sábado à Basílica de Guadalupe, evento que abre o tempo para a peregrinação em 2026 ao santuário da capital.
O convite de Aguiar veio apenas um mês depois de Sheinbaum convidar o pontífice para visitar o país. O Presidente e o Papa falaram no dia 12 de outubro, dia em que dezenas de milhares de peregrinos marcharam até à Basílica de Guadalupe, vindos de diferentes partes do país, sedentos por Nossa Senhora de Guadalupe. “Concordamos que, além da religião que cada pessoa professa e da laicidade do Estado, a Virgem de Guadalupe é um símbolo de identidade e de paz para os mexicanos”, disse na época em breve postagem nas redes. Este gesto ressaltou o interesse do governo na chegada de Leão XIV ao México. Durante a cerimónia de início do pontificado, a Ministra do Interior, Rosa Isela, já lhe tinha enviado uma carta assinada pelo Presidente na qual manifestava o mesmo interesse.
Declaração Oficial: O Cardeal Carlos Aguiar Retes reuniu-se com o Papa Leão XIV para partilhar o caminho sinodal da Igreja no México. pic.twitter.com/MnXKRNxrl6
— Primaz da Arquidiocese do México (@ArquidiocesisMx) 14 de janeiro de 2026
O Presidente mexicano garantiu há algumas semanas que o Pontífice aceitou o apelo, também sem especificar uma data, mas só esta quarta-feira Leão XIV confirmou o interesse em visitar o país. Sheinbaum já ordenou que sejam tomadas medidas políticas para garantir que a visita ocorra num futuro próximo. Segundo o presidente, a chegada de um papa como o atual poderá fortalecer a política de apaziguamento na luta contra a epidemia de violência que assola o país. O México é um dos países com maior número de católicos no mundo e também um dos mais atingidos pela guerra dos cartéis.
O papa, nascido nos Estados Unidos e naturalizado peruano, refletiu na sua primeira exortação apostólica que os fracos e marginalizados deveriam ser o centro da missão da Igreja. E apelou aos sacerdotes para que façam do seu trabalho uma prioridade. O sociólogo de Veracruz, Bernardo Barranco, explicou em entrevista a este jornal que esta ideia aproxima o pontífice das tradições católicas mais progressistas e representa um distanciamento das hierarquias eclesiais e das congregações que flertam com os que estão no poder.
A conversa de Sheinbaum com o pontífice não foi a primeira que teve com o Papa. Sheinbaum se encontrou com o Papa Francisco (2013–2025) no Vaticano em meados de fevereiro de 2024, enquanto ainda buscava a candidatura de Morena à presidência. A reunião durou cerca de uma hora em um escritório particular em Santa Marta. Após a conversa, a candidata presidencial explicou que “admira profundamente” o “pensamento humanístico” de Francisco. E ele o chamou de um dos “maiores líderes e pensadores mundiais dos últimos tempos”.
Apesar da relativa cautela que o pontífice tem mantido desde que assumiu o cargo, no início de maio deste ano, ele aproveitou a oportunidade do diálogo para enfrentar os conflitos. Na passada segunda-feira, reuniu-se com a líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado no contexto da instabilidade da região americana, marcada pelo ataque dos EUA em Caracas no início do ano, que culminou com a captura de Nicolás Maduro por Washington. Machado disse após a reunião que pediu ao pontífice que intercedesse “pela libertação de mais de mil presos políticos e pelo avanço urgente da transição para a democracia na Venezuela”. Machado se reunirá com o presidente dos EUA, Donald Trump, na quinta-feira.