janeiro 28, 2026
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Desde que começou em novembro passado, o julgamento da família Pujol já perdeu um réu (o empresário Carles Vilarubi, falecido em dezembro). Nesta quarta-feira, o Tribunal Nacional de Justiça anunciou outro acontecimento inesperado na audiência: 33 testemunhas não foram encontradas. Os magistrados pediram ajuda à acusação e à defesa para os encontrar, embora não haja nenhuma indicação de que isso será conseguido.

Com exceção de três, todas as testemunhas não identificáveis ​​foram originalmente propostas pelos promotores, e alguns advogados aderiram ao pedido. O juiz presidente, desembargador José Ricardo de Prada, pediu que a acusação ou a defesa saibam como encontrar testemunhas para ajudar o tribunal porque, apesar dos esforços da secretaria do tribunal, “não há possibilidade de localização” dos 33 depoimentos.

Muitas vezes há casos em que uma testemunha não comparece ao julgamento ou simplesmente não pode ser encontrada. O fato de serem 33 se deve à magnitude do caso macro Pujol, no qual quase 250 testemunhas foram chamadas para o julgamento tardio, que ocorre após onze anos de investigação. A estes devem ser acrescentados os depoimentos dos policiais que conduziram a investigação e dos peritos.

E tudo isto apesar de o Tribunal Nacional dispor de mais recursos do que os tribunais ordinários. Nem a Polícia Nacional, que está à disposição de um tribunal especial, nem as bases de dados oficiais conseguiram até agora corrigir as informações faltantes de 33 testemunhas.

Os motivos pelos quais as testemunhas não puderam ser identificadas podem variar: erro no endereço que aparece nas bases de dados, mudança recente de endereço que ainda não foi atualizado ou morte imediata de uma testemunha, possibilidade que é considerada em alguns casos dada a idade de outras provas que já chegaram à Câmara.

Enquanto se aguarda a possibilidade de encontrar testemunhas, a audiência prosseguiu com depoimentos prestados pelo Ministério Público, que apoiaram a tese da defesa e nada continham sobre a corrupção atribuída a Jordi Pujol Ferrusola. Muito pelo contrário. Até o diretor independente da Isolux, Angel Serrano Martinez, disse que o envolvimento do primogênito no boom imobiliário do México “não era relevante” por causa de seu sobrenome, mas porque “ele encontrou a oportunidade de negócio original”.

Segundo a Anticorrupção, o filho primogênito, que pode pegar 29 anos de prisão, contribuiu com apenas um peso mexicano para entrar no negócio (essa alegação foi rejeitada pela defesa e outras testemunhas que já compareceram). Dois anos depois, arrecadou 12,7 milhões de euros com a venda do empreendimento à Isolux.

Em relação a outro caso de Pujol Ferrusola no porto de Rosário, outra testemunha foi ainda mais longe e chegou a chamar o filho primogênito de vítima de fraude por parte de seus sócios argentinos. “Eles nos roubaram, a sociedade perdia dinheiro constantemente, mas não nos disseram por quê”, disse Joan Oriol Rovira, diretor geral da Silos Tarragona.

O tom dos sete testemunhos do dia consistiu novamente em grande parte em respostas como “não me lembro”, “não sei” ou “foi há muito tempo”. Em suma, notícias mais positivas para a defesa do que para o Ministério Público.

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