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Arquivo – Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, durante reunião com seu homólogo russo Vladimir Putin no âmbito de uma visita oficial a Moscou em setembro de 2024 (arquivo)

– Europa Imprensa/Contatos/Gabinete do Presidente da Rússia

MADRI, 3 de janeiro (EUROPE PRESS) –

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, aprovou um decreto que designa a Cidade da Paz como a capital do país africano, como parte do que chama de um movimento em “uma política de desenvolvimento equilibrado, coesão territorial e modernização da administração pública”.

“Foi declarada uma cidade de paz na província de Djiblojo, capital da República da Guiné Equatorial”, refere o decreto assinado por Obiang, que estipula que para a “implementação efectiva” desta decisão, as autoridades “tomarão todas as medidas e disposições necessárias para a sua transferência e liquidação efectiva para a nova capital” no “período de um ano”.

O decreto, assinado em 2 de janeiro, recolhido pelo Gabinete de Informação e Imprensa da Guiné Equatorial, enumera entre as razões desta decisão “a necessidade de adaptar medidas de descentralização e descentralização das funções governamentais, para promover o desenvolvimento socioeconómico harmonioso em todas as regiões do país”.

Assim, defende que tanto a capital Malabo como a cidade de Bata têm sofrido nas últimas décadas com o “acelerado crescimento urbano motivado pelo constante fluxo migratório das zonas rurais e outras pequenas cidades”, facto “devido à concentração de grande parte das infra-estruturas, serviços públicos, oportunidades de emprego e dependência administrativa nestas duas cidades”.

O documento observa também que o “crescimento desordenado” nestas cidades criou “sérios desafios” em diversas áreas, incluindo a “pressão” sobre os serviços básicos e o “aumento das desigualdades regionais e das redes de transportes e comunicações tensas”.

“Se esta tendência se mantiver, corre-se o risco de aumentar os desequilíbrios territoriais, enfraquecer a coesão nacional e dificultar a concretização dos objetivos de desenvolvimento sustentável definidos pelo governo nacional”, argumenta, razão pela qual defende “a aproximação das sedes e escritórios a mais cidadãos” e “um equilíbrio na distribuição demográfica, reduzindo a pressão demográfica sobre Malabo e Bata”.

Neste sentido, sublinha que “o espírito de uma descentralização ponderada é aproximar ainda mais os serviços administrativos básicos da população, a fim de melhorar significativamente o seu bem-estar económico e social, sobretudo, colocá-los no centro das nossas atividades de desenvolvimento administrativo”.

RAZÕES DE SEGURANÇA

Por outro lado, sublinha que a decisão também tem em conta os interesses de “paz e segurança”, dado que a Guiné Equatorial “não tem estado isenta de ameaças terroristas” bem como de “tentativas de desestabilização”. “Estes desenvolvimentos obrigam-nos a refletir e a redobrar os nossos esforços para construir uma estratégia de segurança abrangente e adaptada aos novos riscos e ameaças, tanto internos como externos”, afirma.

“A Cidade da Paz, pela sua localização geográfica estratégica, potencial de expansão urbana, capacidade de acolher modernas infra-estruturas administrativas e ligações com outras regiões, apresenta-se como uma opção ideal para acolher a capital da República da Guiné Equatorial”, reitera.

Por último, afirma que a medida irá “realocar e concentrar os poderes e órgãos do Estado” na Cidade da Paz, o que “contribuirá para a manutenção da paz, a modernização da administração pública, a diversificação das áreas de desenvolvimento e o fortalecimento da unidade nacional”.

A Cidade da Paz, também conhecida como Djibloho e localizada no interior do país – perto da fronteira com o Gabão – é um projecto urbano lançado há mais de dez anos e foi originalmente concebido como a futura capital da Guiné Equatorial, que conquistou a independência de Espanha em 1968.

Obiang, nascido em 1942 em Mongomo, perto da Cidade da Paz, chegou ao poder após um golpe de Estado em 1979 contra o seu tio Francisco Macias Nguema. Desde então, tem enfrentado acusações da oposição de um regime autoritário e casos de corrupção que afectaram pessoas do seu círculo, incluindo o seu filho Teodoro Nguema Obiang Mangue, conhecido como “Teodorin”.

Referência