A ByteDance, proprietária chinesa da TikTok, fechou um acordo para estabelecer uma joint venture de propriedade majoritária dos EUA para evitar a proibição do popular aplicativo de mídia social usado por mais de 200 milhões de americanos.
O acordo é um marco para o aplicativo de vídeos curtos, após anos de batalhas que começaram em agosto de 2020, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, tentou pela primeira vez, sem sucesso, proibir o aplicativo por motivos de segurança nacional.
O novo aplicativo operará sob “salvaguardas definidas que protegem a segurança nacional por meio de proteções abrangentes de dados, segurança de algoritmos, moderação de conteúdo e salvaguardas de software para usuários dos EUA”, disse a empresa em comunicado.
Adam Presser, que anteriormente trabalhou como diretor de operações e confiança e segurança da TikTok, liderará a nova empresa como CEO.
Ele trabalhará ao lado de um conselho de administração de sete membros, de maioria americana, que inclui o CEO da TikTok, Shou Chew.
O acordo prevê que investidores – incluindo a gigante da computação em nuvem Oracle, o grupo de private equity Silver Lake e a MGX, com sede em Abu Dhabi – assumam uma participação de 80,1% na nova joint venture.
A controladora da TikTok com sede em Pequim, ByteDance, manterá 19,9% da propriedade da empresa.
Nos termos do acordo, a joint venture assumirá a responsabilidade pela moderação de conteúdo nos EUA, bem como pelo desenvolvimento e aplicação de políticas relacionadas.
Marina Zhang, professora associada da Universidade de Tecnologia de Sydney, disse que o acordo foi um “momento divisor de águas”, já que foi a primeira vez que dois governos dividiram a propriedade de dados em uma plataforma.
Marina Zhang diz que o acordo é importante. (Fornecido: Universidade de Tecnologia de Sydney)
“Isso cria um modelo para outros países sobre como separar a soberania dos dados e as questões digitais”, disse ele.
Ainda assim, disse ele, ambos os lados fizeram concessões.
“Washington ganhou controle sobre os dados e a narrativa, enquanto a China manteve sua propriedade intelectual; o algoritmo permaneceu em Pequim.”
ABC/Cabos