janeiro 10, 2026
1452807651-U07416645756ewf-1024x512@diario_abc.jpg

O Grupo Parlamentar Popular do Senado proporá na próxima segunda-feira que a comissão de inquérito ao caso Koldo amplie o plano de trabalho do órgão para incluir o resgate da Plus Ultra, companhia aérea que está sendo investigada por suposta lavagem de fundos públicos venezuelanos, e a emissão de licenças de energia eólica e solar à Forestalia, grupo empresarial alvo da Unidade Central de Operações (UCO) da Guarda Civil para suposto tratamento preferencial. Com maioria absoluta na Câmara Alta, os partidos populares estão confiantes na implementação da sua proposta, cujo principal objetivo é intensificar o processo contra o ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero pelas suas ligações com a Venezuela.

Em meados de dezembro, foi ordenada a prisão do presidente da Plus Ultra, Julio Martinez, e do CEO da empresa, Roberto Roselli, sob a acusação de uso indevido de 53 milhões de euros que a companhia aérea recebeu quando foi resgatada pelo governo, supostamente para lavagem de fundos públicos e ouro venezuelano. Em 18 de dezembro, o PP anunciou a intenção de intimar Zapatero por se reunir com Martínez poucos dias antes de sua prisão pela Unidade de Crimes Econômicos e Financeiros (UDEF) da Polícia Nacional.

A Comissão de Inquérito Koldo limitou-se inicialmente à operação Delorme (irregularidades na compra de máscaras durante a pandemia de Covid-19), mas expandiu o seu trabalho para poder analisar outros episódios de corrupção relacionados com o PSOE e o presidente do governo Pedro Sánchez, como o caso movido contra a esposa deste último, Begoña Gómez. As tarefas de segunda-feira incluirão a investigação de supostas irregularidades no resgate do Plus Ultra e nas concessões do governo à Forestalia.

“Zapatero parece estar politicamente ligado e deve esclarecer até que ponto faz parte de um dos quadros mais opacos que rodeiam o atual governo, uma estrutura que liga a ajuda estatal, o capital venezuelano e decisões administrativas profundamente anómalas”, afirma Alicia Garcia, porta-voz do Grupo Parlamentar Popular no Senado, segundo um comunicado de imprensa emitido pelos conservadores. O ex-presidente do Executivo é o eixo central da nova linha de investigação, mas de forma alguma o único.

O PP incluirá na lista dos que figuram na comissão de inquérito o presidente da Plus Ultra, o seu CEO e os responsáveis ​​por salvar a companhia aérea milionária em plena pandemia: a ex-secretária de Estado da Economia e Apoio às Empresas Ana de la Cueva, atual Presidente do Património Nacional, e a ex-vice-ministra das Finanças Maria Pilar Paneque. Além disso, devido à “rede corporativa criada pela Forestalia e pela família Sumelzo em torno das licenças eólica e solar em Aragão”, os populares citarão a ex-secretária de Estado da Ibero-América e do Caribe Susana Sumelzo e o presidente do referido grupo empresarial Fernando Samper.

Solicitar documentação

O Grupo Parlamentar Popular exigirá toda a documentação à disposição do governo relativa aos dois casos investigados. Solicitará à Sociedade Estadual de Participação Industrial (SEPI) o arquivo completo do resgate concedido ao Plus Ultra e ao Ministério da Transição Ecológica, cópias das licenças ou alvarás de parques eólicos, linhas de transmissão, parques fotovoltaicos ou quaisquer outros emitidos pelo executivo da Forestalia e das entidades comerciais pertencentes a este grupo entre 2018 e 2025.

O que fica em dúvida é o comparecimento do ex-ministro José Luis Abalos, que foi convocado esta quinta-feira, mas a comissão de inquérito foi obrigada a cancelar a reunião quando o Supremo Tribunal concluiu que as partes não tiveram tempo suficiente para apresentarem a sua posição sobre o assunto. E até 30 de dezembro, o PP não anunciou a intenção de convocar Abalos, que se encontra numa prisão temporária a aguardar julgamento no caso de conspiração das máscaras, no dia 8 de janeiro.

Referência