janeiro 23, 2026
1494982952-U20281182823X9H-1200x840@diario_abc.jpg

25 anos de negociações para um grande acordo comercial entre a Europa e Mercosul – com a assinatura feita há poucos dias entre os grandes líderes mundiais que participaram em Assunção (Paraguai) – e a votação no Parlamento Europeu esta terça-feira, que novamente causar incerteza. O PP, que é um claro defensor desta aliança, e ainda mais neste momento geopolítico em que a União Europeia sofre fortes batidas de portas por parte dos parceiros tradicionais, decidiu abrandar. Alberto Nuñez Feijó Na quinta-feira, ele tomou a iniciativa de pedir ao governo e à Comissão que não dessem luz verde para a entrada em vigor do Mercosul até que as garantias reforçadas acordadas para o campo espanhol, que deveriam ser incluídas na próxima sessão plenária europeia em fevereiro, fossem aprovadas.

Uma espécie de garantia adicional que proporciona segurança e tranquilidade aos agricultores e pecuaristas. Feijoo não está sozinho nesta posição: todos os presidentes regionais do PP insistir que a Comissão Europeia não deve activar o acordo até que estes mecanismos de protecção sejam claros e automaticamente activados em relação a controle de fronteira e reduzindo as demandas que atualmente assolam o primeiro setor.

Na realidade, o PP está onde estava. Mas uma votação aprovada pelo Parlamento Europeu na terça-feira – enviando o acordo comercial ao Supremo Tribunal de Justiça da Europa (TJUE), com sede no Luxemburgo, para consulta – complicou significativamente as coisas. Nesta paralisia há estranhos companheiros: o Vox – sempre se opôs ao Mercosul – e os parceiros de esquerda do governo como Sumar, Podemos, ERC e BNG.

A história da Espanha é muito clara: queda de nomeações eleitoraisagora são Aragão, Castela e Leão, e depois a Andaluzia, onde o mundo rural é uma questão extremamente sensível. A Vox vem convocando manifestações contra o acordo há semanas. O PP queixa-se: “Não conseguimos explicar suficientemente a importância deste acordo. E que este não é um acordo agrícola, mas comercial.”. Alguns líderes estão conscientes da sua frustração face à possibilidade de serem punidos por uma disposição que é fundamental para a maioria dos sectores e que, na verdade, terá pouco impacto sobre os agricultores e pecuaristas. Além disso, afirmam que o PP lutou por estes mecanismos de proteção reforçados, que deverão ser aprovados no próximo mês.

O partido de Santiago Abascal insiste em falar sobre “consequências devastadoras” para a aldeiae no PP censura o Vox pelo facto de o seu voto para enviar o acordo ao TJUE apenas agravar a sua insegurança. Em primeiro lugar, porque abre a porta à aplicação provisória imediata sem que as salvaguardas acordadas ainda aguardem aprovação. Foi isso que motivou o pedido de Feijó e dos demais dirigentes regionais do PP.

Os populares argumentam que este obstáculo também impede a protecção do orçamento adicional no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) e a desregulamentação regulatória que o campo há muito exige. Daí a crença, como denunciam os líderes populares, de que o Vox está “apenas a tentar incendiar” o campo ao “enganar” o que o grande acordo comercial realmente implica.

A luta entre ambas as facções repercutiu na arena europeia, mas também poderá ter repercussões em Espanha. A campanha em Aragão, que começa oficialmente nesta sexta-feira, coincidirá nos próximos dias com uma mobilização apoiada pelo Vox contra o MERCOSUL. Um cenário que se repetirá em Castela e Leão nas próximas semanas..

Feijó decidiu dar um passo para esclarecer a posição do seu partido, mesmo que isso significasse um confronto com a Alemanha – seu grande aliado – tendo em conta que o chanceler, Friedrich Merzinsistiu ontem em Davos que apoiaria a sua entrada imediata em vigor.

Referência