A opacidade do representante do Vox na Câmara Municipal de Valência, José Gozalbez, junto ao Colégio Oficial de Engenheiros Técnicos Industriais de Valência (COGITI) tornou-se esta terça-feira um ponto de discórdia na Comissão de Património e Recursos Humanos devido a uma proposta apresentada pelo vereador do Compromís, Ferran Puchades.
Como foi elDiario.esGosalbez tem uma dedicação excepcional ao seu trabalho como deputado municipal, embora tenha uma compatibilidade aprovada em plenário que lhe permite exercer algumas atividades privadas, sempre de forma “marginal”. Por meio de seu escritório de advocacia, ele se tornou consultor jurídico da COGITI, empresa especializada em questões de planejamento urbano. Vínculo empregatício oficialmente reconhecido tanto pelo grupo municipal Vox quanto pelo colegiado, embora ambas as partes insistissem que estavam sujeitos à referida compatibilidade.
As dúvidas jurídicas são inevitáveis, no entanto, dado que Gosalbez participa e vota em comissões de planeamento urbano como representante da Vox, ao mesmo tempo que aconselha membros do Colégio de Engenheiros que podem ser potenciais contratantes da Câmara Municipal. Além disso, não informou o número de horas que dedica a este trabalho nem os honorários que recebe, pelo que é difícil verificar se respeita a referida marginalidade em que se baseia a compatibilidade concedida. A informação que a Vox assegura não tem valor jurídico.
A este respeito, Puchades propôs na referida comissão que Gosalbez forneça dados sobre a sua ligação com a COGITI ao secretário da sessão plenária, para que este possa determinar através de um relatório se as condições da compatibilidade prevista estão cumpridas e, caso contrário, a que consequências jurídicas estará sujeito. Solicitou também que a compatibilidade aprovada em plenário seja revista se necessário, reafirmando assim o compromisso da corporação com a transparência.
No entanto, o PP e o Vox derrubaram a proposta com os seus votos e evitaram assim que Gosalbez fosse responsabilizado face ao Compromís e ao PSPV, que apoiaram a iniciativa mas permaneceram em minoria.
Durante o debate, quando questionado diretamente pelo advogado do Compromís, Ferran Puchades, se tinha fornecido informações relacionadas com o referido contrato dentro do prazo legal para que pudessem ser incluídas na sua declaração de bens e atividades, Gosalbez afirmou que “cumpriu as suas obrigações legais”, o que significa que não tinha obrigação legal de fornecer essas informações, versão confirmada por fontes do Vox.
Segundo Puchades, “o que vimos na reunião da Comissão do Património da Câmara Municipal de Valência é a confirmação de que estamos perante uma falta de respeito pelos cidadãos e pela representação democrática; “Esta era a anatomia da impunidade”, e acrescentou: “O Serviço de Segurança do Estado não demonstrou que o seu trabalho como consultor jurídico do Colégio de Engenheiros Técnicos Industriais seria marginal em termos de funcionalidade, das horas que lhe dedicaria, ou da remuneração, uma vez que reteve qualquer informação sobre este assunto”.
Neste sentido, o vereador do Compromis lembrou que “Gosalbez é o único vereador compatível da Câmara Municipal de Valência que não forneceu nenhuma informação que pudesse provar que esta seria uma atividade marginal” e insistiu que “não pode esconder-se atrás do segredo profissional para não fornecer informações; “O segredo profissional não lhe dá o direito de reter informações que o público deveria saber”.