Os diferentes sectores e almas do PP voltam a mostrar posições diferentes, desta vez depois do ataque dos EUA à Venezuela. A posição oficial do partido foi anunciada ao meio-dia deste sábado. O líder do partido, Alberto Nunez Feijó, emitiu um comunicado às 12h no qual evitou mencionar diretamente as ações da Casa Branca. Em vez disso, o líder da oposição apela à “prudência”, fala de “esperança” e centra-se na “ditadura de ferro” da Venezuela. Feijoo também aproveita a situação para acusar o governo de Pedro Sánchez da conspiração que o PP acredita manter com o regime de Maduro.
Em contraste, outros altos responsáveis populares foram ainda mais longe e apoiaram incondicionalmente o movimento de Washington. Entre eles está Isabel Díaz Ayuso, que desde a Puerta del Sol tem, desde que é presidente da Comunidade de Madrid, travado uma intensa retórica contra o “ditador” Maduro e para quem a sua prisão representa “a notícia mais importante dos últimos tempos”.
Estamos monitorando de perto a situação na Venezuela.
A nossa principal preocupação são os espanhóis que vivem no país e todos os venezuelanos, o que é a maior prioridade em todos os momentos. A Venezuela sofreu uma ditadura brutal e exige um futuro sem repressão e…
— Alberto Nunez Feijó (@NunezFeijoo) 3 de janeiro de 2026
Uma das bandeiras do Partido Popular em questões de política externa defendida em eventos e comícios é a crítica direta ao regime venezuelano, defendendo a vitória do líder da oposição Edmundo Gonzalez nas últimas eleições e caracterizando Maduro como um “ditador”. Soma-se a isso os ataques ao governo de Sánchez e ao ex-presidente José Luis Rodriguez Zapatero, acusados de apoiar o presidente venezuelano.
Assim, Feijoo, deixando Trump de lado, aproveitou para atacar La Moncloa. “Há muitos anos que condenamos o regime de Maduro e os seus aliados, inclusive a partir da órbita do governo espanhol. Hoje é um dia mau para todos eles”, afirma o chefe da oposição. “O atual executivo socialista destituiu o vencedor das eleições venezuelanas”, acrescenta Feijoo. O líder da oposição Edmundo González chegou a Espanha no verão de 2024 para procurar asilo político após apresentar um pedido e graças a conversas nas quais o antigo Presidente Zapatero desempenhou um papel fundamental.
O líder do PP conclui a declaração declarando que “a prudência é compatível com a esperança de que a Venezuela recupere o futuro que Maduro lhe tirou devido ao silêncio de muitos líderes do meu país. Só a liberdade e a democracia trarão o futuro pacífico que a Venezuela merece”. O secretário-geral do Partido Popular, Miguel Tellado, falou de forma semelhante. “Hoje abre-se uma nova etapa. Um cenário diferente que precisa de ser gerido com cautela e também com esperança”, indica a formação número dois em declarações divulgadas pelo partido à comunicação social. “Por parte do PP, há muito que condenamos a ditadura das drogas de Maduro e daqueles que a apoiaram de dentro e também de fora. Condenamos também a posição do governo de Sánchez, tão cobarde, tão distante da responsabilidade histórica que a Espanha tem para com a Venezuela”, acrescenta Tellado.
À tarde, e depois de definida a posição de Génova, continuaram as declarações de outros representantes do Partido Popular. O Presidente da Comunidade de Madrid deu um passo além da liderança nacional do PP, que expressou a sua forte euforia com os ataques dos EUA. “Maduro é um ditador que roubou as urnas e o seu povo: assassinato, tortura, fome e êxodo de milhões de venezuelanos”, afirma Díaz Ayuso na notícia mais importante dos últimos tempos”, acrescenta a popular baronesa na rede social.
Maduro é um ditador que roubou as urnas e o seu povo: assassinatos, tortura, fome e o êxodo de milhões de venezuelanos.
A queda do regime e o retorno da democracia à Venezuela graças à ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Maria Corina Machado é uma das notícias mais importantes…
– Isabel Diaz Ayuso (@IdiazAyuso) 3 de janeiro de 2026
Díaz Ayuso é uma das lideranças populares que mais demonstrou o seu insulto a Maduro: os eventos organizados pelo executivo comunitário e pela Câmara Municipal da capital dirigem-se à população venezuelana que vive na região. “Madri está com a Venezuela e com a liberdade”, disse o prefeito José Luis Martínez Almeida. “Hoje é uma oportunidade histórica para o povo venezuelano restaurar a democracia e o Estado de direito. Todo o nosso apoio a Maria Corina Machado e ao presidente eleito Edmundo Gonzalez Urrutia. Viva a Venezuela livre!” ele acrescenta.
Os presidentes de outras regiões foram mais cautelosos nas suas declarações. O líder da Galiza, Alfonso Rueda, escreveu em “Outros”, assim como o barão aragonês Jorge Azcon, que se limitou a repassar a mensagem de Feijoo, assinando as suas palavras.
Há dois representantes do Partido Popular que se tornaram mais militantes desde a captura de Maduro. O líder do Partido Popular da Catalunha, Alejandro Fernandez, argumenta em X que “ditadores que fraudam eleições e torturam seus oponentes não podem ser removidos do poder fazendo propostas e cantando Imaginar“Também falou através da rede social o popular legislador Rafael Hernando, que seguiu a mesma linha. “Não há necessidade de intermediários, mas sim que o vencedor das eleições democráticas retorne ao seu país e a democracia e a liberdade sejam restauradas”, disse ele, referindo-se a Edmundo Gonzalez. “Acabar com a ditadura das drogas e facilitar o retorno dos exilados à Venezuela”, acrescenta. Machado e conhecê-la durante a cerimônia do Prêmio Nobel da Paz e, junto com Díaz Ayuso, é uma das bandeiras do PP no confronto com o regime de Maduro, “El Día V” foi poupado de palavras, postou na rede social X junto com uma foto das explosões.