fevereiro 10, 2026
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Os problemas jurídicos da influente Juliana Guerrero, muito próxima do presidente Gustavo Petro e candidata fracassada ao cargo de Vice-Ministra da Juventude, continuam a crescer. Na manhã de segunda-feira, a Procuradoria-Geral apresentou um pedido formal de audiência para apresentar acusações contra ela por supostamente falsificar seus diplomas universitários da Fundação San Jose. A promotora de segurança territorial, Dacey Jaramillo Rivera, a acusa de fraude processual e falsificação ideológica em documento público e disse que solicitaria prisão domiciliar preventiva para o ex-funcionário do governo.

Também avança o julgamento de Luis Carlos Gutiérrez, ex-secretário-geral da Fundação, acusado de administrar os títulos de Guerrero na instituição de ensino. Há alguns meses, Gutiérrez assumiu a responsabilidade em um documento interno no qual admite que Guerrero se formou sem os requisitos necessários, procedimento necessário para que Petro a nomeasse vice-ministra. O Ministério Público o investiga pelos mesmos crimes que ela e também vai exigir prisão domiciliar para o ex-diretor. Nem Guerrero nem Gutierrez mencionaram a notícia.

O caso começou no ano passado, quando denúncias de diversos meios de comunicação e da deputada Jennifer Pedraza revelaram que Guerrero nunca fez o exame Sabre Pro exigido para se formar e que também não fez aulas de graduação técnica e profissional em contabilidade pública. Por isso, o presidente teve que retirar a candidatura do jovem de 23 anos a um alto cargo no Executivo. Apesar do escândalo, a jovem continua a ser delegada do governo no conselho de administração da Universidade Cesar, faculdade da qual é natural, e mantém o poder no círculo íntimo do presidente. Há duas semanas, Petro nomeou Nora Yanet Mondragon, próxima de Guerrero, como a nova diretora do departamento de administração presidencial.

Juliana Guerrero teve uma ascensão meteórica difícil de explicar nos mais altos níveis de poder da Colômbia. Em poucos meses, ela deixou de ser ativista do movimento estudantil da estatal Cesar People's University para controlar recursos do governo e posições-chave em vários poderes executivos. A sua proximidade com o Presidente levou-a a ocupar cargos na Secretaria de Transparência Presidencial, como elemento de ligação territorial no Ministério do Interior, e finalmente a tornar-se Chefe de Gabinete da mesma pasta, sem possuir diploma universitário ou qualquer experiência relevante.

Ao mesmo tempo, os promotores investigam se o caso de Guerrero é um caso isolado ou representa um problema sistemático. A Fundação da Universidade Estadual de San Jose libertou irregularmente pelo menos 24 atuais funcionários do governo e contratados, incluindo o secretário da equipe presidencial, de acordo com reclamações da deputada da Câmara Catherine Giuvinao, do Partido Verde. Seis desses trabalhadores conquistaram o título de técnico, tecnólogo ou especialista sem passar no exame Sabre Pro. Os 18 restantes realizaram o exame poucas semanas ou meses após a obtenção do diploma, o que também invalida qualquer título, conforme a Lei 1.324 de 2009 e o Decreto 4.216 do mesmo ano, que estabelecem que a prova “é pré-requisito e obrigatória para a obtenção do título profissional”.

O problema mais grave é que, em alguns destes casos, as pessoas conseguiram empregos públicos através de cargos errados, o que poderia causar danos financeiros. “Isso acontece nos casos em que, sem título, não cumpriram os requisitos para tomar posse”, disse Juvinao em diálogo com o EL PAÍS. Segundo investigação da deputada de Bogotá, os contratos adjudicados a estas pessoas entre 2023 e 2025 custaram ao país mais de 1.100 milhões de pesos.

De acordo com a denúncia que Juvino apresentou à Controladoria e Procuradoria-Geral da República, 10 funcionários trabalham para o SENA, 2 para a Defesa Nacional, 2 para a Invima, 2 para o DANE, 2 para a Aerocivil. Num caso, aparecem outras estruturas: os Ministérios da Saúde e dos Transportes, a DIAN, a Direção de Serviços, a Presidência, a Corporação Colombiana de Aviação e a Agência Nacional de Segurança Rodoviária. O Ministério da Educação anunciou que também está a avaliar a universidade para garantir que cumpre os padrões de qualidade exigidos. Os resultados da investigação deverão ser publicados nas próximas semanas.

Referência