janeiro 27, 2026
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perguntaÁris, Hospital de la Salpêtrière, 1878. O anfiteatro está repleto de médicos de toda a Europa, estudantes e curiosos que conseguiram convite para as famosas “aulas de terça-feira”. No centro do salão, Jean-Martin Charcot – o neurologista mais prestigiado da França – se prepara para um de seus famosos demonstrações clínicas. “Senhores”, anuncia ele, “hoje observarão manifestações de histeria feminina”. Ele aponta para as enfermeiras e aparece Augustine, uma jovem com uniforme cinza de presidiário que se tornou a paciente mais fotografada da medicina europeia.

Útero errante

Durante mais de dois milénios, desde Hipócrates até 1980, a histeria feminina foi um diagnóstico comum. Os gregos acreditavam que o útero era um órgão móvel que se movia por todo o corpo. Quando a mulher não tinha relação sexual ou engravidava, esse útero “seco” se movia em busca de umidade, pressionando os órgãos e causando sufocamento, convulsões e loucura. O termo “histeria” vem do grego histeria, 'útero'. Os médicos colocavam substâncias aromáticas na vagina para “atrair” o útero errante de volta ao lugar, ou injetavam sais nauseantes no nariz para “empurrá-lo” para baixo.

Referência