Há uma noite por ano em que o silêncio “soa” diferente. Eles dormem em casa, mas não completamente. Os sapatos estão esperando em algum lugar. Em outra, um copo d'água balança sobre a mesa. Lá fora, a cidade parecia prender a respiração, como se … sabia que algo antigo e delicado estava para acontecer.
Esta é a Décima Segunda Noite.
Não importa a nossa idade, todos nós já acreditamos que o mundo poderia ser bom sem quaisquer condições. Uma carta escrita com uma caligrafia desajeitada ou elegante é suficiente para fazer alguém em algum lugar no horizonte ouvir nossos desejos.
Os Três Reis Magos não vêm apenas pelas crianças; Eles vêm para lembrar aos adultos quem eles foram e quem, no fundo, ainda são.
A história fala de três viajantes e uma estrela. Mas isso realmente fala da pesquisa. Caminhar no escuro, guiado por uma luz frágil, atravessar os desertos interiores com esperança inabalável. Melchior, Gaspard e Balthazar representam não tanto o destino, mas um gesto de seguir em frente, oferecer, adorar o que merece cuidado.
Cada doação é um ato de fé. Acreditar que outras coisas importam. A crença de que um detalhe pode dizer: “Pensei em você”, “Eu te vi”, “Eu te conheço”. Na manhã do dia 6 de janeiro, quando o papel rasga e o espanto se faz sentir, o amor acumulado ao longo de dias, semanas e talvez anos é realmente revelado.
A Festa dos Reis não se baseia na abundância, mas na antecipação. Sobre a lentidão da noite passada, sobre o som de passos imaginários, sobre a confiança de que a alegria também pode chegar lentamente.
Este é um feriado que não grita, sussurra. E neste sussurro há toda uma forma de compreender a vida.
Cavalgadas, luzes, doces atirados ao ar são apenas uma concha visível de algo mais profundo, uma memória partilhada. Uma história que passa de mão em mão, de geração em geração, e que nos lembra que não estamos sozinhos, que pertencemos à mesma história de esperança e cuidado.
É por isso que os Reis continuam vindo, mesmo quando não esperamos mais brinquedos.
Porque trazem algo mais difícil de obter: a oportunidade de acreditar sem cinismo, de dar sem calcular, de olhar o mundo com olhos puros por mais uma noite.
No final, quando chega o amanhecer e a magia se reúne silenciosamente, o que fica mais importante é a certeza de que enquanto alguém puder preparar um presente pensando no outro, a estrela continuará a arder e a iluminar nossas vidas.