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Durante décadas, o cuidado das filhas, dos filhos e dos dependentes recaiu quase silenciosamente sobre os ombros das mulheres da casa. Em Castela-La Mancha, como no resto do país, esta realidade determinou o acesso ao emprego, a utilização tempo e igualdade de oportunidades. Ele Plano de responsabilidade conjuntapromovida pelo Ministério da Igualdade e desenvolvida pelo governo regional desde 2021, nasceu precisamente para responder a este desequilíbrio estrutural. Quatro anos mais tarde, o Relatório de Avaliação de 2025 permite-nos utilizar dados e evidências para avaliar até onde chegou esta tentativa de mudança.

A conclusão geral do estudo é clara: o plano de responsabilidade partilhada foi consolidado como política de saúde pública eficazé amplamente implementado e altamente valorizado pelas famílias, tendo um impacto direto na reconciliação e no bem-estar quotidiano. No entanto, também expõe os limites da intervenção, que por si só não pode mudar profundamente padrões culturais e sociais profundamente enraizados.

Uma das características mais notáveis ​​do Plano de Responsabilidade Compartilhada Castela-La Mancha é a sua expansão territorial. Entre 2021 e 2023 o programa atingiu mais de 650 municípiossim, o que isso significa mais de 70% dos assentamentos com pequena população na região. Esta realidade tem permitido que os serviços de conciliação não se concentrem apenas nas zonas urbanas, mas também cheguem aos municípios rurais mais pequenos, onde a falta de recursos públicos é normalmente mais pronunciada.

O impacto nos números é significativo porque mais de 190 mil meninos e meninas participaram das atividades do Plano durante estes três anos, com uma distribuição equilibrada entre os sexos e maior representatividade em idades precoces, especialmente entre os 4 e os 8 anos. Para muitas famílias, especialmente nas cidades pequenas, estes serviços revelaram-se a única alternativa real para conciliar trabalho e educação dos filhos.

Cuidado coletivo

Salas de jogos, atividades matinais, atividades em dias não letivos ou durante as férias escolares. A assistência coletiva acabou sendo o recurso mais popular no âmbito do Plano de Responsabilidade Compartilhada. Estima-se que mais de 80% dos beneficiários recorreram ao programa para satisfazer tais necessidades, o que mostra que a questão da conciliação não se limita a situações excepcionais, mas faz parte do quotidiano de milhares de famílias.

Por trás destes dados existem realidades muito específicas: horário de trabalho incompatível com o horário escolar, falta de redes de apoio familiar, emprego em setores de turnos divididos ou empregos instáveis ​​que dificultam qualquer adaptação. O plano não resolve todos estes problemas, mas alivia uma parte fundamental do fardo, especialmente durante períodos críticos como as férias escolares.

A satisfação da família é um dos indicadores mais convincentes do relatório. Quase 90% dos usuários dizem que estão muito ou bastante satisfeitos com os serviços recebidos. Esta avaliação positiva repete-se tanto nas zonas urbanas como rurais, embora seja particularmente elevada nos municípios mais pequenos onde o impacto do plano é mais perceptível.

As pessoas entrevistadas destacam a tranquilidade de saber que seus filhos e filhas estão bem cuidados, com redução do estresse diário e com a capacidade de administrar melhor o seu tempo. O plano de responsabilidade partilhada, concluiu o estudo, não muda radicalmente a vida das famílias, mas faz melhorias concretas que mudam a vida cotidiana.

Mulheres que economizam tempo

Um dos efeitos mais marcantes é a liberação de tempo, principalmente para as mulheres. O relatório confirma que são eles que mais procuram os serviços. e aqueles que mais se beneficiariam com a redução da sobrecarga de cuidados. Graças ao Plano, muitos conseguiram manter os seus empregos, expandir as suas oportunidades ou simplesmente passar algum tempo livre.

No entanto, a avaliação também levanta um alerta: melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional nem sempre conduz a uma distribuição mais equilibrada das tarefas dentro de casa. Embora exista um amplo consenso público sobre a importância da responsabilidade partilhada, a prática quotidiana continua a demonstrar a inércia tradicional. Em muitos casos cuidar ainda é considerado responsabilidade da mulhermesmo que ambos os membros do casal trabalhem fora de casa.

Entrevistas aprofundadas revelam uma visão complexa de responsabilidade partilhada.. Para as famílias, não se trata simplesmente de uma questão de “distribuir tarefas”, mas sim de um processo contínuo de negociação, adaptação e aprendizagem atravessado por conflitos, horários impossíveis e expectativas sociais conflitantes.

Exercícios para homens

O relatório compila evidências que mostram progresso real, mas também resistência. Acordos que duram algum tempo e são quebrados, tensões quando o trabalho fica difícil ou sentimentos de culpa que recaem principalmente sobre as mães. Assim, a responsabilidade compartilhada surge como um novo valor.ainda em construção, que enfrenta uma organização social do tempo e do trabalho que nem sempre torna isso possível.

Neste contexto, a avaliação destaca a importância de uma das áreas mais inovadoras do Plano: a formação em responsabilidade partilhada dirigida aos homens. Considerada pioneira, a linha se esforça para ir além do atendimento periódico e visa criar a mudança cultural necessária para uma verdadeira igualdade, onde As mulheres assumem 80% mais cuidados do que os homens.

O relatório avalia esta iniciativa como passo na direção certaembora insista que o seu impacto só pode ser avaliado a médio e longo prazo e desde que seja apoiado e apoiado por recursos suficientes. A mudança de mentalidades, conclui o estudo, é um processo lento que requer continuidade e consistência nas políticas públicas.

Além do seu impacto social, o programa teve um impacto significativo naCriação de empregos no setor de cuidadoscontribuindo para sua profissionalização e reconhecimento. Numa região caracterizada pelo despovoamento e pela insegurança laboral, foram criados mais de 10 000 empregos numa área essencial para a coesão social.

No entanto, O relatório lembra-nos que os cuidados continuam a ser um sector feminizado. e que a sua plena dignidade pressupõe melhorias estruturais nas condições de trabalho, reconhecimento económico e estabilidade. A avaliação conclui que o Plano de Responsabilidade Partilhada funciona e cumpre o que promete, mas não pode, por si só, transformar um sistema social que continua a punir o cuidado e a dificultar a reconciliação. As mudanças culturais, laborais e económicas necessárias para uma responsabilidade partilhada eficaz vão além de um único programa.

Apesar disso, O estudo reconhece o valor inegável do Plano.: colocando o cuidado no centro do debate público e demonstrando que é possível uma forma diferente de organizar o tempo, o trabalho e a vida familiar.

Em Castela-La Mancha O plano de responsabilidade partilhada não eliminou a disparidade de género nos cuidados, mas abriu o caminho. Um caminho que, segundo o relatório, só poderá ser seguido se for consagrado na forma de políticas estruturais e acompanhado de uma transformação mais profunda do modelo sócio-laboral.

Referência