janeiro 27, 2026
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A primeira audiência do “caso Taula” para a parte separada E, a quarta para o caso macro e a terceira para Marcos Benavent, levaram ao reaparecimento de Vicente Burgos, veterano do PP do espólio de Francisco Camps, que abandonou a política depois de ter sido preso em 2014 por falta de pagamento de multa depois de ter sido síndico de uma televisão regional. Os promotores anticorrupção estão pedindo a Burgos que o sentencie a cinco anos de prisão por um suposto crime de peculato em curso. Ele está sendo julgado pela contratação de Benavente, um autoproclamado “viciado em dinheiro”, na Fundação Jaume II El Just, onde Vicente Burgos era gerente. No entanto, os arguidos apontaram para o Ministro da Cultura que assinou o contrato em 2003: Esteban González Pons, actual eurodeputado do PP e membro da direcção de Alberto Núñez Feijúo.

Burgos se ofereceu para responder às perguntas do promotor anticorrupção Fernando Maldonado na primeira audiência e se autodenominou um “gerente sem autoridade”. O “viciado em dinheiro” conseguiu emprego numa fundação pública, embora, segundo os réus, fosse um “potencial membro do gabinete” de González Pons. Segundo o Serviço Anticorrupção, Benavent recebeu um total de 164.676 euros de Jaume II El Juste.

Segundo os réus, três sucessivos ministros da Cultura (Alejandro Font de Mora e Trinidad Miro, além de González Pons) tiveram o status “indubitável” de presidentes da fundação.

A posição de Marcos Benavent como Diretor de Atividades Institucionais da Fundação não era um “título”, mas sim um “rótulo”, explicou Vicente Burgos num comunicado repleto de explicações muito longas, em alguns casos confusas e pouco claras. A tal ponto que o Presidente da Terceira Secção do Tribunal Provincial de Valência lhe pediu várias vezes detalhes. Os acusados ​​sistematicamente faziam rodeios.

Burgos escondeu o facto de se tratar de uma “empresa privada”. Para surpresa do procurador (o fundo foi financiado pelo Orçamento do Estado), o arguido alegou que foi financiado por “patrocínios, patrocínios e empréstimos bancários, nenhum dos quais aprovado pela Generalitat (sic)”.

O antigo gestor da Fundação Jaume II El Justa afirmou que o projecto de repatriação de Madrid do mosteiro superior do palácio do abade para o Mosteiro Real de Santa Maria de la Valdigna era um “objectivo” prioritário do Conselho presidido por Francisco Camps, que pretendia transformar o mosteiro da Taberna de Valdigna numa espécie de centro espiritual dos valencianos. Os restos mortais permaneceram fora do território valenciano após o confisco de Mendizábal, explicou Burgos.


Marcos Benavent (primeiro da esquerda) e Vicente Burgos ao lado dele.

Para recuperá-lo, o vereador González Pons colocou Marcos Benavente no fundo como “ligação”, embora Vicente Burgos admitisse que o “viciado em dinheiro” não tinha mesa ou cadeira nas dependências da empresa estatal. “Havia uma motivação política e uma agenda por parte do próprio departamento”, disse ele.

— Marcos Benavent fez alguma coisa na fundação?

— Por exemplo, ele me acompanhou em viagens de negócios à Câmara Municipal de Torrelodones, em Madrid, para formalizar tudo o que era arquivo de autorização de desmontagem e transferência para trabalho. Houve um grande interesse pelo ministro, ele é público e conhecido, afirmou o próprio presidente da Generalitat.

“Momento processual oportuno” para retratação

Vicente Burgos disse durante a investigação do caso Taula que Marcos Benavent não pretendia trabalhar para o fundo. Em seu julgamento, ele argumentou que estava sendo “perseguido por outras coisas”, referindo-se às supostas mordidas que também são objeto do julgamento. “Eu disse o que disse como defesa”, explicou no julgamento oral, “momento processual adequado” para as suas explicações.

Os arguidos responderam às perguntas do procurador e dos advogados com longas tiradas, que o presidente do tribunal tentou travar sem muito sucesso. Sofrendo de problemas auditivos, ele pediu desculpas pela voz estridente, que também foi amplificada pelo microfone da sala.


Vicente Burgos após ser preso pela Guarda Civil.

Perto do final da apresentação, Burgos explodiu. “Fui apontado como instigador da cobrança de propina e não apareço em nenhum depoimento ou gravação. Tudo o que é dito sobre mim é de terceiros”, afirmou, elevando ainda mais o tom.

A investigação de Thawle, iniciada há mais de uma década, “causou muita dor”, disseram os réus. “O meu filho ficou órfão porque neste caso a mãe se suicidou”, disse, referindo-se à morte da sua ex-mulher, a antiga vereadora do Povo da Câmara Municipal de Valência, Maria José Alcón, que estava a ser investigada por alegadamente cobrar subornos para contratos municipais alegadamente distribuídos a um “viciado em dinheiro”.

Tribunal: “Acalme-se e não perca a compostura”

“Tudo bem, tenho 61 anos, tinha 38 na altura”, acrescentou, referindo-se à época dos acontecimentos perseguidos. Diante dos gritos e gestos de Vicente Burgos, que chegou a jogar um papel na mesa em que estava encostado, o presidente do tribunal implorou-lhe: “Por favor, acalme-se e não perca a compostura”.

O mesmo juiz fez algumas perguntas finais aos réus: quem no fundo era responsável pela contratação de pessoal (respondeu o presidente executivo Burgos) e quem deu ordens para os contratos (o réu não tinha “assinatura”, como alegou). “A única assinatura de solidariedade que a fundação teve foi a do conselheiro”, acrescentou.

Em suma, Burgos “não se importava com a alta administração, a baixa administração ou o contrato indireto (sic)”. Foi enviado à fundação para “servir a Generalitat” e com as suas capacidades “adequadas” “para atingir um objetivo que não foi alcançado nos últimos cem anos”.

Já mais calmo, Burgos concluiu sua surpreendente declaração insinuando seus problemas auditivos: “Lamento se o tom foi inadequado em algum momento, principalmente o volume da minha voz, sou completamente surdo e isso me faz levantar a voz quase sem perceber. O juiz respondeu que o tribunal “assumiu a responsabilidade pelo stress” que o arguido sofreu.

Referência