dezembro 1, 2025
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Sob uma fonte que incorpora o exuberante estilo barroco do vice-reinado, Rosa Maria Duran, de 98 anos, e Pelai Vilar, de 92, relembram seu exílio catalão no México. Dor na mochila, mas também os benefícios do casamento misto. Neste domingo, o pátio da Casa del Risco, no bairro mexicano de San Angel, tornou-se um lugar de sinceros elogios, com os quais presidente Salvador Illa quis renovar alguns votos de fraternidade entre os dois povos. “Nossas raízes estão na Catalunha, mas nossos frutos estão no México”, explicou Duran, 98 anos, tradutor de profissão. “Trabalhamos aqui”, disse Vilar, otorrinolaringologista, referindo-se à sua contribuição para o conhecimento da língua catalã. Ambos chegaram aqui quando crianças fugiam da Guerra Civil na década de 1940. “O México salvou vidas e grande parte da cultura catalã”, disse o chefe de governo a uma plateia de filhos e netos de exilados.

“O exílio não foi apenas um momento sombrio e uma perda, mas também uma ponte”, insistiu Gabriela Lopez, diretora do Centro Cultural Casa del Risco. O espaço não poderia ser mais pessoal. Pertenceu ao diplomata Isidro Fabela que, juntamente com o ex-presidente mexicano Lázaro Cárdenas, foi um dos principais intermediários na chegada de milhares de catalães em fuga do fascismo. “Graças a esta solidariedade, famílias inteiras puderam reconstruir as suas vidas e enriquecer a cultura mexicana com a sua presença”, recorda López.

Um dos filhos de Cárdenas, Cuauhtémoc, também participou do evento. O engenheiro queria ir além dos grandes nomes da cultura e da política e se concentrou nas pessoas mais comuns que tiveram a oportunidade de reconstruir suas vidas no México depois de escaparem do governo de Franco. “Tinha muita gente que vinha trabalhar no campo, operários, tipógrafos. Um pouco de tudo e um pouco de tudo foi distribuído pela república”, lembrou.

Durand, Creu de Sant Jordi 2022, beneficiou de interpretação musical Emigranteescrito por Cinto Verdaguer (“Querida Catalunha, casa do meu coração, quando te deixa morre de saudade”) para ilustrar o que significou para ela o exílio iniciado em 1942. “Nós, catalães, que viemos para o México, não morremos, viemos do inferno, da guerra civil e da Segunda Guerra Mundial. Encontramos um país que nos aceitou com ternura e bondade. As culturas não se anulam, acrescentam culturas”, explicou. “É verdade que as nossas raízes estão na Catalunha, mas os nossos frutos estão no México”, acrescentou.

Na mesma linha, Vilar recordou como, quando criança, teve que sair da casa do pai na Gran Via de Barcelona, ​​perto da Plaza España, para iniciar a viagem para França, com noites frias e pesadas e cheias de piolhos, em Prats de Moglio (França). Chegou ao México em 1949. “Mas hoje é um dia de alegria e não de tristeza”, observou, lamentando a notícia que recebeu sobre o declínio do uso social da língua catalã na Catalunha. “Estamos trabalhando aqui”, garantiu ele ao explicar o progresso do idioma.

“A gratidão da Catalunha ao México precisa ser renovada”, disse Illa com entusiasmo. Esta gratidão, explicou, não deve ser apenas um “exercício nostálgico”, mas também “presente e futuro”. “No mundo agressivo que alguns nos querem impor, a Catalunha e o México devem dar o exemplo de uma nova irmandade”, explicou. “Uma nova era em que a compreensão e as instituições prevalecem acima de tudo, criando espaço para novos encontros e compreensão mútua”, disse ele.