– Alexander Kazakov/TASS via ZUMA/DPA – Arquivo
MADRI, 10 de fevereiro (EUROPE PRESS) –
As autoridades russas confirmaram esta terça-feira a retoma dos contactos “a nível técnico” com França, o que “se necessário” poderá levar à abertura de um diálogo de “alto nível” entre os presidentes dos dois países, Vladimir Putin e Emmanuel Macron.
O anúncio foi feito pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que observou que neste momento “não há sinais de que tal desejo exista”. “No entanto, tomamos nota das declarações do Sr. Macron sobre a necessidade de estabelecer relações com a Rússia e apreciamos estes comentários”, afirmou, segundo informações compiladas pela agência de notícias russa Interfax.
Peskov enfatizou que Moscou considera “reduzir as relações a um estado zero como ilógico, contraproducente e prejudicial para todas as partes”. “A Rússia sempre defendeu a manutenção do diálogo, o que, na nossa opinião, contribui para resolver os problemas mais difíceis. Eles não podem ser resolvidos sozinhos e o confronto não ajudará”, afirmou.
Neste sentido, sublinhou que das capitais europeias, “com exceção de Paris, não foi demonstrada nenhuma intenção de retomar o diálogo com Moscovo”. “Outras capitais europeias até agora não demonstraram qualquer incentivo”, acrescentou.
As suas palavras surgiram horas depois de o próprio Macron ter expressado o desejo de envolver os parceiros europeus na retoma do diálogo com Putin, quase quatro anos após o início da invasão da Ucrânia.
O presidente francês, que na semana passada enviou um conselheiro a Moscovo para a primeira reunião deste tipo desde o início da guerra, lamentou que “a Rússia não queira a paz agora”, disse ao jornal alemão Suddeutsche Zeitung.
“Mas apesar de tudo isto, retomamos os canais de discussão entre as partes a nível técnico”, disse. “Quero partilhar isto com os meus parceiros europeus e poder abordar as coisas de um ponto de vista europeu bem organizado”, acrescentou. “O diálogo com Putin não deve ocorrer com muitos interlocutores, mas com um mandato”, observou.
Macron optou em diversas ocasiões por iniciar negociações diretas entre a Europa e a Rússia, em vez de deixar a liderança apenas nas mãos dos Estados Unidos. “Quer gostemos ou não da Rússia, ela ainda estará lá amanhã, por isso é importante negociarmos com os russos sem ingenuidade e sem pressionar os ucranianos, mas também sem dependência de terceiros”, concluiu.