Os principais sindicatos do sistema ferroviário, os condutores da Semafa e os centros centrais do Comité Central da OO e VGT, anunciaram para amanhã, terça-feira, o cancelamento da greve de três dias, que durou até ao final desta quarta-feira. A decisão surgiu após uma quarta reunião com representantes do Ministério dos Transportes, onde os trabalhadores voltaram a exigir alterações legislativas e maiores esforços para preservar as redes Adif, convencionais e de alta velocidade, em prol de uma maior segurança ferroviária. O pacto, concebido para acabar com as greves, inclui trinta compromissos que enfatizam um aumento de 50 por cento no montante atribuído à manutenção das infra-estruturas, bem como o fortalecimento da força de trabalho nela envolvida.
O motivo da greve setorial proposta foram os acidentes em Adamuza (Córdoba) e Gelida (Barcelona), respectivamente, nos dias 18 e 20 de janeiro, que mataram 47 pessoas, incluindo três maquinistas.
Fontes próximas das negociações explicam que resta saber que decisões serão tomadas pelos outros sindicatos minoritários que não estão na mesa de negociações: CGT, Sindicato Ferroviário e Alferro. A primeira delas, CGT, afirma que “a greve no sector ferroviário continua porque a SFF-CGT convocou uma greve nas principais empresas do sector: Adif, Renfe, Ouigo, Iryo e Serveo”. Além disso, o cancelamento da Semaf, CC OO e UGT deverá ser ratificado pelas Comissões Gerais da Renfe e da Adif.
O primeiro dia de protesto começou esta segunda-feira com o cancelamento até quarta-feira de 350 voos de alta velocidade (entre Renfe, Irio e Huigo), bem como rotas suburbanas com grau de cumprimento dos serviços mínimos, em alguns casos abaixo do intervalo estipulado de 50% a 75% (de 33% a 66% em Rodalies). Após as 14h00, o cumprimento dos serviços garantidos nos serviços comerciais (AVE, Avlo, Alvia, Euromed e Intercidades) era de 80%; 41,1% em Cercanias Madrid e 42% em Rodalies de Catalunya. A taxa média de cumprimento dos serviços garantidos nas circulações Cercanías e Media Distancia foi de 62% a nível nacional, resultando em graves atrasos nas estações.
No segmento de médio curso, a Renfe suspendeu 683 serviços, elevando o número total de comboios cancelados para cerca de mil, excluindo o impacto em Serkanias e Rodalies.
Os transportes confirmam o princípio do acordo declarado pelos sindicatos para suspender a greve dos ferroviários. “Apoiamos totalmente as declarações dos representantes dos trabalhadores para confirmar este importante acordo, que os próprios sindicatos consideram histórico”, afirmou o ministério, liderado por Oscar Puente. Segundo a Efe, foi o secretário-geral da Semaf, Diego Martin, quem usou o adjetivo “histórico” ao se referir aos termos do acordo na mídia.
Após a realização das três primeiras reuniões, o ministro Puente faltou à reunião desta segunda-feira devido a viagens em sua agenda, mas planeja se reunir com representantes sindicais esta tarde. Numa reunião final, já em plena greve, especialistas técnicos trabalharam num extenso relatório que incluía melhorias regulatórias e exigências de aumento de gastos na manutenção da infraestrutura. O acordo inclui “melhorias em investimento, manutenção e pessoal”, explicou Transportes, sem revelar detalhes neste momento. “Reconhecemos a vontade de diálogo que os sindicatos em particular apoiaram durante as negociações e felicitamo-nos pela capacidade de chegar a acordo e consenso, o que beneficia sempre o nosso sistema ferroviário”, conclui o porta-voz do ministério.