Como os australianos passam mais tempo ao ar livre durante o verão, o clima úmido e o calor criam um ambiente perfeito para os mosquitos. Mas do outro lado do Oceano Pacífico, os cientistas brasileiros isolaram outra razão pela qual estes pequenos insetos irritantes estão a criar mais incómodos, e isso pode ter implicações em todo o mundo.
Testes de DNA realizados em 24 mosquitos no Rio de Janeiro constataram uma tendência preocupante: eles picam as pessoas com mais frequência.
E acredita-se que a razão por trás desse fenômeno seja simples: há menos animais para eles morderem porque a maior parte da floresta em que viviam foi derrubada.
Os testes identificaram o sangue de 18 pessoas diferentes, seis pássaros, um anfíbio, um cachorro e um rato.
O autor principal, Jerónimo Alencar, disse que os mosquitos que cercam os remanescentes da Mata Atlântica agora têm uma “clara preferência por se alimentar de humanos”.
“O comportamento dos mosquitos é complexo”, disse o biólogo do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.
“Embora algumas espécies de mosquitos possam ter preferências inatas, a disponibilidade e a proximidade do hospedeiro são fatores extremamente influentes”.
Por que o estudo pode ter implicações para a Austrália
O alerta pode ter implicações para a Austrália, que, tal como o Brasil, é um dos focos de desflorestação do mundo.
Uma pesquisa publicada esta semana descobriu que mesmo espécies ameaçadas estão perdendo dezenas de milhares de hectares de habitat à medida que os governos dão luz verde a novos projetos.
Separadamente, existe uma preocupação crescente de que as doenças transmitidas por mosquitos continuem a espalhar-se pela Austrália, e os cientistas estão a investigar formas de reduzir o seu número através de avanços tecnológicos, como infectá-los com veneno ou eliminar todas as fêmeas.
Na Nova Gales do Sul, as autoridades estão a investigar um caso suspeito de encefalite japonesa e, em Dezembro, os seus homólogos vitorianos emitiram um alerta sobre a febre do rio Ross.
O que é ainda mais preocupante é que os investigadores de mosquitos alertaram que doenças tropicais como a dengue se estabelecerão na Austrália continental à medida que o clima continua a aquecer.
Os pesquisadores examinaram mosquitos ao redor da Mata Atlântica do Rio de Janeiro, que tem sido alvo de extenso desmatamento. Fonte: Fronteiras em Ecologia e Evolução.
Os mosquitos se alimentam de humanos por conveniência
O coautor do estudo brasileiro, Sergio Machado, alertou que “a preferência por humanos aumenta significativamente o risco de transmissão de patógenos”.
“Com menos opções naturais disponíveis, os mosquitos são obrigados a buscar novas fontes alternativas de sangue. Eles acabam se alimentando mais de humanos por conveniência, já que somos os hospedeiros mais frequentes nessas áreas”, disse o microbiologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Sua pesquisa foi publicada na revista. Fronteiras em ecologia e evolução. Espera-se que o estudo conduza a abordagens mais direcionadas para a prevenção de doenças transmitidas por mosquitos.
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