janeiro 10, 2026
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Um estudo do Observatório Social da Fundação La Caixa, realizado por investigadores do Parque Sanitário de Sant Joan de Déu, mostra que 30,6% dos estudantes entre os 16 e os 22 anos na Catalunha tiveram ideação suicida, 25,9% se automutilaram e 10,6% tentaram o suicídio. O relatório destaca o apoio social e a resiliência como factores-chave de protecção contra o sofrimento emocional, afirmou esta quinta-feira a fundação.

Entre os motivos que mais impactam o bem-estar dos jovens, o estudo indica que o bullying é o fator mais comum (31,5%), seguido da separação dos pais (31,1%) e da exposição à violência nos relacionamentos (20,4%). Também influenciam, embora em menor grau, as dificuldades económicas familiares (19,2%) e a perda de um familiar de primeiro grau (10,1%), situações que os adolescentes percecionam como além das suas capacidades de gestão.

O estudo foi realizado entre 2024 e 2025 através de um questionário online no qual participaram 3.159 alunos de escolas secundárias, escolas profissionais, escolas para adultos e universidades residentes na Catalunha. A investigadora e principal autora do estudo, Regina Villa, alerta que houve um “aumento significativo do sofrimento emocional entre os jovens” desde a pandemia. Entre os adolescentes de 10 a 13 anos, as internações hospitalares por problemas de saúde mental aumentaram de 3,9% para 14,3% em apenas quatro anos.

O estudo também revela uma clara disparidade de género. As meninas apresentam níveis mais elevados de estresse emocional, ansiedade e depressão, bem como maior impulsividade e sentimentos de solidão. Tanto a ideação suicida quanto a automutilação são mais comuns entre as mulheres. A investigadora associa este fenómeno a “menos apoio social, menos resiliência e menos satisfação com a vida”. O relatório também aponta para o impacto do abuso sexual e emocional, que contribui para o aumento do isolamento.

As redes sociais estão provando ser outra área de preocupação. 4,1% dos jovens inquiridos acreditam que a utilização destas plataformas é problemática para eles. Além disso, 51,7% afirmam ter visto pornografia e 17,5% admitem jogar, o que pode aumentar o sofrimento emocional. Porém, Villa esclarece que o estudo não mostra uma ligação direta entre o uso da rede e problemas de saúde mental: “Em vez de causar desconforto, o uso da rede tende a intensificar sentimentos pré-existentes”.

O relatório conclui que o apoio social, o desenvolvimento da resiliência, a satisfação com as atividades diárias e a existência de um ambiente educativo estimulante são elementos-chave na proteção da saúde mental. O apoio social foi significativamente menor entre aqueles que tiveram pensamentos suicidas ou tentaram suicídio (11% e 17% menor, respectivamente), assim como a resiliência, que foi 8% menor nos jovens com ideação suicida e 11% menor naqueles que tentaram.

O estudo destaca a importância do fortalecimento desses fatores na escola, nos ambientes familiares e na comunidade. “O que mais nos surpreendeu foi que a grande maioria das pessoas não procurou ajuda, mesmo aquelas que tentaram o suicídio. Este é um fato muito atual e alarmante”, alerta Villa.

Referência