janeiro 11, 2026
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Três das 100 vítimas do descarrilamento do trem interoceânico no centro de Oaxaca apresentaram queixas à Procuradoria-Geral da República contra empresas de construção e seus responsáveis, incluindo empreiteiros e funcionários do governo. O acidente, que até agora provocou 14 mortos e uma centena de feridos (onze continuam hospitalizados devido a ferimentos), ocorreu no domingo, 28 de dezembro, quando, num troço de curvas fechadas, uma locomotiva saiu da linha e arrastou consigo o resto do comboio, enquanto o primeiro carro caiu num barranco, e o segundo ficou meio suspenso. Três vítimas que estavam no último carro estão processando por danos corporais e negligência médica por não atenderem a diversas fiscalizações que alertavam para problemas na construção. Sua equipe jurídica não descarta que outras vítimas juntem-se ao processo.

Os requerentes, que respondem pelos nomes de Manuel, Flor e Alexis, pretendem duas coisas, segundo o seu advogado. “Primeiro, participe ativamente da investigação para poder intervir na elaboração de um laudo pericial que determinará a causa do acidente e protegerá seu direito à verdade”, afirma seu advogado Adrian Arellano, advogado de defesa criminal de Vega Mac Gregor Arellano. “Aí eles buscam indenização porque, infelizmente, suas vidas mudaram completamente desde o acidente e isso terá consequências”, afirma. Arellano afirma que eles mantêm contato com outras vítimas.

O acidente ocorreu quando um trem de passageiros da Ferrovia Tehuantepec, que fazia a rota Salina-Cruz-Coatzacoalcos, descarrilou no centro de Oaxaca, com 250 pessoas em seu interior, entre passageiros e tripulantes. Esta é a primeira e primeira tragédia fatal de novos projetos ferroviários construídos durante a presidência de Andrés Manuel López Obrador, uma política pública que a sua sucessora Claudia Sheinbaum prometeu dar continuidade. Tanto a construção do Comboio Maia como a construção da Ferrovia do Istmo, as duas obras iniciais deste plano ferroviário nacional, foram entregues antes dos prazos de construção para atingir os objetivos políticos definidos pelo Palácio Nacional.

Durante a sua conferência de imprensa diária, a Presidente Sheinbaum perguntou “quem está a apresentar a queixa”. “Os advogados não têm de se candidatar”, criticou, “há escritórios de advogados que abordam as vítimas para obterem mais recursos e receberem comissões, não precisam disso, terão todo o apoio”. Sheinbaum garantiu que além do que receberão do seguro, receberão “reparações abrangentes de danos” da Comissão Executiva de Assistência às Vítimas.

Segundo os passageiros, a empresa que deverá cuidar deste acidente e dos sinistros das vítimas é a Seguros Ve por Más, do conglomerado familiar Grupo Kaluz. De acordo com os documentos da apólice, a empresa cobre um total de até P116 milhões por ano, com uma compensação máxima de P400.000 por passageiro, seja para despesas médicas, despesas funerárias, morte acidental ou perda de bagagem. Segundo informações dos contratos, o serviço começou em 2026 sem seguro de passageiros, pois a licitação governamental foi declarada inválida.

Referência