O PP afirma agora que “há dúvidas se o direito internacional foi violado” na Venezuela.
O vice-ministro da Revitalização Institucional do Partido Popular, Cuca Gamarra, garantiu esta manhã que “há dúvidas se o direito internacional foi violado” na Venezuela pelos Estados Unidos. O PP opera assim numa contradição porque, tal como ontem Alberto Nunez Feijoo, Gamarra destacou que a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro é “uma boa notícia para qualquer democrata”, pois significa “a decapitação de um ditador”. Mas, ao mesmo tempo, expõe as “dúvidas” que um ataque dos EUA poderia suscitar sobre a violação do Estado de direito internacional. “Chegou a hora de reafirmar as obrigações que Espanha defende e, como não pode ser de outra forma, o direito internacional”, disse o popular subsecretário de Estado em entrevista à Cadena Ser.
A posição do presidente dos EUA, Donald Trump, de manter a vice-presidente venezuelana Delcy Rodriguez como presidente interina do país mina os argumentos do PP. O partido de Feijoo opõe-se a Maduro, ainda número dois, como figura temporária, como defende Trump.
“Não apoiamos que Delsie (Rodriguez) assuma as rédeas”, disse Gamarra. “Defendemos os resultados das eleições de 2024, um novo tempo deve chegar e quem tem legitimidade democrática deve liderá-lo”, disse, referindo-se aos líderes da oposição Edmundo Gonzalez e Maria Corina Machado.
Além disso, segundo Gamarra, o governo de Pedro Sánchez “apoia a continuidade do regime” de Maduro “através de Delsi”. “Ninguém sabe dos fortes laços (de Delcy Rodriguez) com o governo, a presença de Delcy (Rodriguez) no aeroporto é algo que todos os espanhóis sabem”, notou, referindo-se à altura em que o vice-presidente venezuelano visitou Barajas há seis anos, uma visita preparada pelo então ministro dos Transportes e secretário da organização do PSOE, José Luis Abalos, que tinha um programa de quatro dias planeado em Madrid. “Quem é sancionado pela União Europeia não pode ser uma figura transitória”, insistiu Gamarra.