fevereiro 12, 2026
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O conflito agrava-se no bloco progressista do Conselho Geral da Magistratura (CGPJ). A última reunião plenária do órgão, realizada nesta quarta-feira, demonstrou mais uma vez a imagem da presidente Isabel Perello, a quem foi creditada uma sensibilidade progressista ao ser nomeada; e um dos membros escolhidos por iniciativa de Zumara, Carlos Hugo Preciado, votando com dez membros do grupo conservador.

Nesta ocasião, o órgão decidiu quais dois membros passariam a estabelecer relações com associações judiciárias. Por doze votos, o plenário decidiu que esses interlocutores seriam dois homens: o próprio Preciado e um membro escolhido por iniciativa do Partido Popular, José Antonio Montero, considerado muito próximo de Perello. Ambos eram colegas no Supremo Tribunal Federal.

Os restantes nove membros progressistas propuseram a membro Ines Herreros, também escolhida por iniciativa de Zumara, e que já tinha sido excluída por Preciado da sua proposta de distribuição de comissões acordada com os membros de direita em Outubro passado. Após esta distribuição, oito dos onze têm maioria conservadora. Além disso, Preciado manteve sua posição no Permanente, o núcleo onde muitas decisões importantes são tomadas.

Esta decisão tem causado desconforto entre outros progressistas, que acreditam ter surgido um bloco “absolutamente corporativista”, ultrapassando inclusive o eixo ideológico. Esta última medida constitui também uma afronta à igualdade que o Conselho é obrigado a aplicar nas nomeações para a liderança judicial.

Os dois membros eleitos são magistrados e pertencem às associações mais identificadas com os juízes de direita e de esquerda. Montero é filiado à majoritária e conservadora Associação Profissional de Juízes (APM), enquanto Preciado está associado há 21 anos à organização Juízes e Juízes pela Democracia (JJpD), de tendência progressista e terceiro em representatividade na disputa. Foi duas vezes membro do seu secretariado. Herreros também tem uma longa história associativa, com duas décadas de filiação à União Progressista dos Procuradores, da qual atuou como presidente e representante no Conselho Fiscal.

Em declarações ao elDiario.es, o membro Herreros questionou a nomeação de duas pessoas “estreitamente ligadas a duas associações judiciais específicas”, o que “mancharia a aparência adequada de neutralidade”. E afirma que este facto “viola as formas originalmente acordadas de exercício neutro da presidência e o acordo original de equilíbrio, e também viola o respeito pela igualdade de género e representa um novo exemplo de acumulação de poder nestes dois membros, o que fortalece as formas presidenciais e afecta novamente a dinâmica patriarcal”.

Num comunicado enviado à imprensa, Preciado afirma que ambos foram escolhidos “pela experiência no trato com associações” e confirma que Herreros, que é procurador de carreira, “não tem experiência anterior com associações judiciais”.

Fontes próximas do membro sublinham que a “história” de que ele deslocou para a direita é “completamente falsa”. E na terça-feira pressionaram por uma votação no Comité Permanente em que Preciado ficou sozinho, defendendo o direito dos juízes substitutos – um grupo feminizado e instável – de terem a sua antiguidade contabilizada “em termos de tempo total de comunicação, e não apenas de tempo de prestação efectiva de serviços”.

No plenário desta quarta-feira, o Presidente e Preciado também votaram, em conjunto com o bloco conservador, contra a proposta do gabinete técnico sobre a interpretação do alcance das regras de disponibilização de vagas nas secções “Família”, “Infância” e “Deficiência” e “Violência contra crianças e adolescentes”.

O deputado Herreros argumenta que o acordo finalmente alcançado “torna mais flexível o nível de especialização exigido pela nova legislação sobre a infância e reduz os padrões originalmente previstos no relatório técnico”. Por outro lado, o círculo de Preciado sublinha que a proposta defendida pelos restantes progressistas era um “absurdo” porque penalizaria os juízes com vasta experiência em tribunais mistos em detrimento daqueles com menos tempo em tribunais especializados.

Referência