dezembro 1, 2025
DAMBin20-202025-11-30T155959.742-U07887452721poW-1024x512@diario_abc.jpg

Após anos de debate e meses de adiamento de uma reivindicação social que clamava aos céus, a aprovação da Lei da Mobilidade Sustentável no Congresso, ainda aguardando aprovação do Senado, representa um passo decisivo para transformando nossas cidades.

A nova regra representa uma mudança de paradigma: reconhece a mobilidade como um novo direito dos cidadãos, obriga as grandes empresas a desenvolver planos de mobilidade sustentável para os seus trabalhadores e promove a utilização dos transportes públicos, e abre a possibilidade de reduzir as viagens curtas com uma alternativa ferroviária competitiva.

No entanto, o seu sucesso dependerá em grande parte da sua implementação eficaz e da cooperação de todas as partes envolvidas. Não basta estabelecer uma lei; O seu verdadeiro valor será medido pelas mudanças concretas que conseguir realizar na vida quotidiana das pessoas.

As cidades espanholas têm um modelo urbano centrado no automóvel particular. Mudá-la exigirá mais do que apenas legislação: exigirá coordenação entre administrações, financiamento estável e coragem política. Será também necessário oferecer alternativas de mobilidade viáveis, incluindo transportes públicos eficientes, infraestruturas para caminhadas e ciclismo e soluções gerais que facilitem a aceitação do novo modelo pelos cidadãos.

A lei faz o diagnóstico correto, mas o tratamento vai demorar. A experiência tem demonstrado que sem um roteiro claro, a mudança tende a confundir-se entre procedimentos, prazos e promessas. Neste sentido, ferramentas como o certificado CAES podem desempenhar um papel fundamental. Este tipo de mecanismo permite avaliar objetivamente os impactos energéticos e ambientais das políticas e projetos de mobilidade, garantindo que as medidas não ficam no papel e que a transição é mensurável.

Mas a mobilidade sustentável não é apenas uma questão técnica ou legislativa: é também uma questão cultural e social. A transição para cidades mais verdes e habitáveis ​​exige que mudemos a forma como pensamos sobre o transporte pessoal, repensemos os nossos hábitos de transporte e percebamos que um carro estacionado 95 por cento do tempo não significa eficiência ou progresso. Nesta mudança de paradigma, fórmulas como o carsharing ou o aluguer de automóveis entre particulares, modelos que nós da Amovens ajudámos a uniformizar, demonstram que é possível aproveitar melhor os recursos existentes e reduzir o número de automóveis. O desenvolvimento sustentável tornar-se-á uma realidade se os cidadãos se envolverem e adoptarem novas formas de se deslocarem, partilharem recursos e consumirem de forma responsável.

Se a nova lei atingir o seu objetivo, as nossas ruas poderão ser transformadas em locais mais verdes e seguros, com menos ruído, menos emissões e mais espaço para as pessoas. Contudo, este futuro não virá por decreto ou por magia. Dependerá da vontade de todos: dos governos que deverão aplicá-la; empresas que devem inovar e cidadãos que devem estar dispostos a mudar os seus hábitos.

Apesar dos possíveis “mas” que possam surgir em decorrência de sua aplicação prática, devemos ser categóricos: a aprovação da Lei da Mobilidade Sustentável é uma ótima notícia para o futuro da mobilidade em nosso país. Estabelece um caminho que deve agora ser cuidadosamente traçado e seguido por todos para que a mudança seja real, duradoura e benéfica para todas as partes.

A lei define o rumo, mas são as decisões e a convicção coletiva que mudarão as nossas cidades. Podemos celebrar o progresso hoje, mas o verdadeiro desafio começa agora: transformar a esperança em ação e acelerar uma mobilidade mais limpa e mais humana, devolvendo as cidades às pessoas.

SOBRE O AUTOR

Alberto Badjali

Ele é o CEO da Amovens.