janeiro 11, 2026
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Começou quando a península se chamava Espanha e permaneceu intocada à medida que visigodos, muçulmanos e reinos cristãos passavam. Ele viu guerras, secas, invasões, incêndios e séculos inteiros de humanidade irem e virem sem pedir sua permissão. Não fala, claro, mas se pudesse, provavelmente seriam necessários vários volumes para contar tudo o que aconteceu sob suas filiais. Hoje ainda se encontra num recanto quase secreto de Jaén, transformado num dos mais impressionantes monumentos vivos de história natural de Espanha.

Isto não é um exagero nem uma afirmação turística exagerada: este antigo teixo tem mais de 2.000 anos e é considerado a árvore mais antiga de Espanha e uma das que vivem há mais tempo na Europa. Está crescendo por dentro Parque Natural da Serra de Cazorla, Segura e Las Villasa maior área protegida do país, com mais de 200 mil hectares e uma biodiversidade que impressiona até quem pensa já ter visto de tudo.

Sobrevivente em um enorme parque

Este parque natural destaca-se não só pela sua dimensão, mas também pela sua riqueza ecológica. Aqui vivem mais de 200 espécies de animais e cerca de 2.300 espécies de plantas, o que a torna uma verdadeira reserva natural no sudeste da península. Entre os 23 municípios, existe um enclave muito específico onde o tempo parece ter parado: o Caminho dos Teixos do Milénio.

O nome não engana. Este percurso circular relativamente curto e acessível alberga alguns dos teixos mais antigos do continente europeu. E eles estão lá por um motivo. A sua localização, perto do local de nascimento Rio Guadalquivircria condições de umidade e temperatura muito incomuns para a Andaluzia, ideais para espécies que costumam preferir climas mais frios.

Por isso, junto com os teixos aparecem choupos, freixos e salgueiros, árvores que rompem com o imaginário seco e quente que muitos associam ao sul. O contraste é tão inesperado quanto fascinante.

Um caminho fácil para o gigante de 2.000 anos

Uma visita é adequada para quase qualquer pessoa. A trilha é circular, tem pouco mais de cinco quilômetros de extensão e oferece pouca dificuldade, sendo um percurso ideal para famílias ou caminhantes inexperientes. O ponto de partida está localizado em Cañada de las Fuentes, muito perto da nascente do Guadalquivir e a poucos quilómetros de quesada.

O primeiro troço passa por pinhais gradualmente convergentes, cujos exemplares atingem oito metros de altura. Não é raro encontrar cabras montesas ou veados, que olham para o visitante com o misto de curiosidade e desconfiança tão típico do homem que governa este território há séculos.

É no último trecho que a paisagem realmente muda. O pinhal torna-se mais denso, o caminho estreita-se e teixos centenários começam a aparecer. Alguns deles ultrapassam os 20 metros de altura, mas há um que supera todos os outros.

A árvore que já viu tudo

Você não pode errar com o teixo mais antigo da trilha. Seu tronco chega a sete metros de diâmetro, e seu tamanho é o dobro do tamanho e presença dos demais. Ele não precisa de sinais nem de explicações: ele se reconhece. Esta é a pérola do parque, uma árvore que já era velha quando Roma ainda governava a península.

Em tempos de correria, telas e urgência constante, encontrar um ser vivo que está no mesmo lugar há 2.000 anos tem um efeito difícil de explicar. Impressiona não pelo espetáculo, mas pelo que representa: resistência, silêncio e uma escala de tempo que deixa a pessoa no lugar.

Talvez seja por isso que uma visita a este antigo teixo não seja apenas um passeio, mas uma pequena lição de humildade. E isso não é nada ruim.

Referência