Uma adolescente de 13 anos ficou em estado grave após dar à luz em San Cristobal de las Casas, Chiapas, conforme informou esta quinta-feira a promotoria local, que já investiga o caso. Segundo informações fornecidas pelas autoridades, o menor foi levado às pressas ao Hospital de las Culturas no dia 5 de janeiro por um sujeito de 17 anos. O jovem se apresentou como seu “marido” e a entregou à equipe médica para auxiliar durante o parto.
Quando os médicos saíram do pronto-socorro para questioná-lo sobre o estado do menor e obter mais informações, o homem fugiu. A polícia ministerial procura este homem, que não deixou vestígios. Visitaram também a casa da família Dacey, natural de San Juan Chamula, região de Altos del Estado.
A menor também sofre de sarampo, o que piorou seu estado de saúde. Tanto a criança quanto a mãe permanecem sob observação e estão em estado grave, mas estável.
O relatório médico afirma ainda que a menor sofreu ferimentos graves após o parto, incluindo esmagamento da bexiga e da uretra, bem como danos em outros tecidos internos devido à imaturidade física do seu corpo.
O Ministério Público indicou que o casal mora junto. “A mãe, de 13 anos, e o pai, de 17 anos, coabitam com o consentimento de ambos os pais. No entanto, a Procuradoria dos Povos Indígenas continua a juntar-se ao respectivo processo de investigação para esclarecer os factos de acordo com a lei”, afirmou o departamento em comunicado.
O anúncio das autoridades do estado de Chiapas provocou indignação entre os grupos de defesa das mulheres. Inicialmente, a Procuradoria de Justiça das Primeiras Nações afirmou que a menor tinha 10 anos e, qualquer que fosse a situação que levasse à sua gravidez, haveria punição para o caso.
“A realidade mostra que a lei não é efetivamente implementada, uma vez que estes sindicatos continuam a surgir sem qualquer intervenção de quaisquer autoridades para os prevenir, investigar ou punir”, afirma a Comissão de Meninas, Meninos e Adolescentes do Coletivo Feminista 50 Plus 1 Chiapas. A organização exige uma investigação imediata sobre o assunto.
A associação exigiu o cumprimento da legislação que proíbe o casamento infantil e as uniões forçadas sem excepções culturais que violem os direitos humanos, bem como outras salvaguardas para garantir que a integridade da vítima seja protegida.
Casos de meninas grávidas tornaram-se mais frequentes
Apesar da reação dos órgãos governamentais do estado de Chiapas, a diretora da associação contra a violência de gênero para a promoção da mulher, Elsa Simon Ortega, exigiu que o responsável pela gravidez da menor fosse punido. Pediu também que a Lei de Proteção à Criança e ao Adolescente respeite os costumes e costumes acima mencionados.
Ele acusou que não importa se o menor tem 13 ou 10 anos, as autoridades devem estabelecer a punição para o crime de pedofilia e também punir os pais responsáveis por permitirem o ato.
Ele observou que a situação das meninas que dão à luz nos hospitais de Chiapas está se tornando cada vez mais comum, um flagelo extremamente alarmante e não evidente em algumas regiões indígenas do México.
“Às vezes temos dois a três casos por dia entre meninas de doze, treze anos ou menos que dão à luz em hospitais públicos. Em 2025, tivemos 585 adolescentes que foram dar à luz, e nos primeiros sete dias deste ano temos nove casos no Hospital Geral de Tapachula, mais dois casos no Instituto Mexicano de Segurança Social (IMSS) do mesmo município, e agora o caso de uma menor de San Cristobal de las Casas”, explicou.
Segundo Simon Ortega, uma menina deve estar na escola, em casa com os pais e engajada em atividades que auxiliem seu esquema psicológico, social e produtivo. “Uma menina não pode cuidar de outra menina, isso deveria ser punido em toda a extensão da lei”, disse ele.
Chiapas e Oaxaca continuam a ser as duas regiões onde ocorre o maior número de casos de violação de crianças devido a costumes e costumes em comunidades onde as meninas e adolescentes são frequentemente forçadas pelos pais a casar com homens mais velhos.