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— Gosto de quase todos os esportes. Alguns deles eu assisto fisicamente, como futebol. Gosto de todo o futebol, mas especialmente do Real Madrid. Sou membro da organização há 50 anos. Como telespectador, gosto muito disso. Torneio de Hipismo e Atletismo das Sete Nações com Carl Lewis e Sebastian Coe.

— Conte-nos sobre suas primeiras lembranças do futebol.

“Estes são os associados à Taça dos Campeões Europeus de 1966, preto e branco, que o Madrid conquistou graças ao golo de Serena. Já está a chover. E então lembro-me de como em 1972 eu era pequeno e fui com os meus colegas de pé até ao terceiro anfiteatro. Lá, na última fila, vi o Real Madrid – Athletic Bilbao. Também fui ao Raimundo Saporta para assistir aos grandes jogos da Taça Europeia de Basquetebol.

“Ele fez muito bom uso de seu cartão de membro!”

— Lembro-me dos jogos com Dino Menegin e com TSK “Moscow” Tachenko. E esses duelos com Luik e Rullan.

— O senhor sempre argumentou que esporte e intelectualidade não se contradizem.

— Abandonar o esporte é uma visão absolutamente absurda e falsa da realidade. Mas isto não é novidade: dois grandes pensadores do século passado foram Gregorio Marañon e Ortega y Gasset. Para estes últimos, o esporte era o principal; e para Marañon é uma perda de tempo.

“Mudamos alguma coisa, mas não tanto.”

“Escute, eu fui aluno de Gregorio Peches Barba, que, entre outras coisas, foi o Presidente da Constituição. Ele era um grande torcedor do Real Madrid. Bem, ele ficava muito irritado quando não gostava de alguém, que um intelectual foi para o futebol. Chillida era goleiro da Real Sociedad. Sanyudo rompeu o menisco e foi forçado a desistir do futebol, mas até se falava que ele iria assinar um contrato com o Madrid. Albert Camus, escritor e filósofo, foi o goleiro do Racing Club da Argélia O poeta Miguel Hernandez era apaixonado por futebol. E Novokov também estava lá.

-Puxa! Ninguém defendeu o valor do futebol para mim como você.

— Enquanto eu era reitor, uma organização bancária organizou uma reunião de reitores de universidades importantes. Um dia ele estava tocando em São Paulo e Emilio Botin me pediu para convidar o reitor do Trinity College. Foram reuniões muito formais. Procurei eventos culturais no Rio de Janeiro, mas não foram muitos. O reitor e eu cumprimentamos e a primeira coisa que ele me perguntou foi se eu gostava de futebol. Na sequência, fomos conhecer as instalações do Botafogo.

– O Real Madrid está a viver um dos piores momentos de que se tem memória?

– Muito pelo contrário. Junto com os anos 60, acho que esse é o melhor. Nos últimos 15 anos, o Real Madrid ganhou sete Copas da Europa, sete Copas do Mundo…

“Talvez por isso seja difícil compreender a dúvida constante que existe em relação à equipa.

– Eu não acho. Isto precisa ser considerado no médio prazo. É impossível fazer um diagnóstico esportivo de um ano inteiro em três meses e meio. Há um mês e meio, o momento foi mágico.

— Você acha que o presidente Florentino Perez está preocupado?

“Acho que o que acontece com eles é o que acontece com aqueles que ocupam cargos de responsabilidade. Daí a preocupação… Não creio que tenha motivos para me preocupar. Sou descendente de Adolfo Menendez, fundador e presidente do Real Madrid. Chamartín reabriu após a guerra civil. Madrid teve dois grandes presidentes: Bernabeu e Florentino, que lhe proporcionaram estabilidade financeira. Não creio que ele esteja particularmente preocupado.

— O que você acha de mudar o modelo corporativo?

– A vida é mudança. Quando você parar, volte. Os clubes de hoje têm pouco em comum com os clubes de há 40 anos. A chegada de grandes fundos de investimento e de clubes-estados destruiu tudo. É prudente que o Real Madrid considere a criação de uma estrutura corporativa no clima actual se quiser continuar a ser o melhor clube do mundo. Um modelo que não envolve conversão para SAD puro. Os sócios ainda possuem a maior parte da propriedade, mas há outro sócio com capacidade financeira.

— Qual deveria ser, na sua opinião, a relação com o Barcelona?

— O futebol é, antes de tudo, uma paixão. Todo clube tem rivais. O Real Madrid precisa do Barcelona como clube; e vice-versa. Mas o relacionamento não é fácil.

— Madrid é poder e Barça é liberdade?

— Para um advogado, Barcelona é a lei. Real Madrid, lei e justiça.

“Negreira terá algo a ver com o seu reflexo.”

— Qualquer pessoa envolvida num caso cuja conduta seja eticamente repreensível e legalmente punível quando o juiz toma uma decisão. Nesse caso, o melhor para a luz e para o estenógrafo é saber o que aconteceu. Então julgue pelos fatos. E é verdade que a certa altura este caso não afetou a relação com o Barça, mas agora regressou com maior animosidade, talvez pela insatisfação dos jogadores do Real Madrid e de outros clubes que querem saber o que aconteceu. Virar a página é sempre um erro.

— A qual atleta você se sente fiel?

– Rafael Nadal. Tem todos os valores que o esporte representa. Meu pai, sendo jogador de futebol, me disse que Di Stefano era o melhor, mas eu não o vi jogar. Ao anoitecer vi Pelé. Gosto de Zidane, Butragueno, Raul, Ronaldo Nazario e Mbappé. Mas como você pode ver, para mim a melhor coisa que vi foi Maradona. Se tivesse jogado pelo Madrid, as coisas teriam sido melhores para ele. Ele é o único que já vi vencer uma competição sozinho.

— Temos problemas com violência no esporte?

-Eu não acredito. Sem violência, sem racismo. Não partilho deste critério. Embora existam pessoas cruéis que vão ao campo de futebol. Devemos educar e punir com rigor e seriedade. Não se trata de prisão perpétua ou estigmatização. Mas eles devem ser punidos.

— Quem vai conquistar os principais títulos da temporada?

— Gostaria do Real Madrid, mas não sei. Direi que num jantar com amigos vimos quais eram os hotéis em Budapeste no dia da final da Liga dos Campeões. Fui a quatro finais e o Madrid venceu. E num contexto desportivo é pior que o atual.

– Dar.

– Portanto, concordamos que o Real Madrid vencerá a Liga e a Taça dos Campeões Europeus.

Referência