fevereiro 12, 2026
727f1e5a-d1e0-41cb-aab1-3b8f0a429b28_facebook-watermarked-aspect-ratio_default_0.jpg

O que começou como uma parada da Guarda Civil por excesso de velocidade gerou um processo disciplinar contra a prefeita de Felanich, Catalina Soler (PP), por confrontar quatro agentes que ordenaram que ela parasse o carro ao atravessar uma rotatória. O processo, ao qual elDiario.es teve acesso, afirma que durante a ação policial confrontou os funcionários e questionou o seu trabalho, usando frases como “você não merece usar este uniforme”, “você não sabe fazer o seu trabalho” e “esta terra não exige muito”. No entanto, a primeira autarca garante que não lhes desrespeitou e interpôs recurso para o Ministério da Administração Interna.

Os fatos relatados pela Cadena Ser ocorreram em agosto de 2025, quando agentes prestaram serviços de segurança aos cidadãos na rotatória que converge na estrada que liga os municípios de Felanich e Campos (MA-5120). Segundo o documento do Instituto Militar, os agentes pararam um veículo conduzido por Soler porque este se deslocava “a uma velocidade significativamente superior ao limite de velocidade” numa zona de 40 km/h. O prefeito, segundo o boletim de ocorrência, proferiu então uma linguagem que teria desacreditado a intervenção dos agentes, que também alegam que Soler “em tom ameaçador” na qualidade de prefeito insistiu em “pressionar as forças envolvidas no desempenho de suas funções”.

Ao tomar conhecimento da abertura do caso, a primeira autarca qualificou de “absolutamente falsa” a atitude desrespeitosa para com os membros da Guarda Civil, garantindo que nunca proferiu linguagem ofensiva ou ofensiva e que o seu comportamento foi sempre correto, limitando-se ao interesse pelo motivo da intervenção: “Estou profundamente surpreendido que o meu comportamento possa ser interpretado como desrespeito”, afirma o líder histórico do PP, que afirma estar “plenamente consciente do respeito pela autoridade”.

A autarca nota que, por outro lado, se sentiu “aterrorizada com o abuso de poder dos agentes” que – sempre na versão de Soler – exibiam “comportamentos e tom de voz” com os quais diz não se sentir “confortável em nenhum momento”. Ele afirma que a situação piorou quando ele pediu para fazer uma ligação, mas não foi autorizado a fazê-lo, algo que as autoridades negam veementemente. As autoridades afirmam que, depois de lhe perguntarem se deveria telefonar, informaram-lhe que “como se encontra num posto de controlo policial, para que isso aconteça o mais rapidamente possível, é aconselhado que continue o seu caminho após concluí-lo”.

A primeira conselheira ainda questiona o motivo original da parada: afirma que estava dirigindo no limite de velocidade, e a seguinte desliza: “Que evidências demonstram essa ‘velocidade claramente superior’ ao limite de velocidade divulgado pelos agentes?” Soler destaca que o procedimento de sanções “baseia-se unicamente na versão dos agentes ativos” e que não existem registos, testemunhas independentes ou outros elementos objetivos que confirmem os factos.

Noutra carta, Soler reitera que “nunca houve qualquer intenção de fugir à autoridade ou pôr em causa a integridade dos agentes”, embora argumente que no caso de expressões verbais críticas, estas serão protegidas pelo direito à liberdade de expressão, “no máximo, se tais expressões não implicarem insulto ou desprezo directo, mas antes reflectirem uma opinião crítica ou protesto pessoal”.

Multa de 100 euros

Após receber as denúncias do assessor, a delegação governamental notificou quatro agentes, que confirmaram a sua história por escrito e afirmaram que “sem dúvida” ouviram os comentários ofensivos de Soler contra eles. A decisão posterior do órgão dependente do executivo central examina os factos provados com base na referida ratificação e lembra que as denúncias dos agentes têm presunção de veracidade salvo prova em contrário, pelo que decidiu aplicar uma multa de 100 euros ao autarca, por considerar provado “desrespeito e consideração” para com os associados da Benemerita.

O documento, assinado em agosto de 2025, conclui que os factos estão de acordo com o artigo 37.4 da Lei Orgânica 4/2015 sobre a proteção da segurança dos cidadãos, o que torna crime menor o desrespeito aos membros das forças e corpos de segurança no desempenho das suas funções. A primeira autarca decidiu interpor recurso, no qual questiona a proporcionalidade da sanção e condena a “omissão das provas solicitadas”, incluindo declarações individuais dos agentes activos e a inclusão de quaisquer provas gráficas ou documentais que possam existir.

Depois de a Cadena Ser ter noticiado o caso, Soler falou nas redes sociais, garantindo que a multa de 100 euros é um “tráfico”, apesar de a própria resolução da delegação governamental, que a autarca anexou ao seu discurso, a qualificar expressamente como uma sanção por desrespeito aos agentes. “Até onde sei, na minha delegação governamental só existe uma multa por violação das regras de trânsito. É evidente que a Cadena Ser recebeu informação tendenciosa sobre esta multa por parte da delegação governamental com a intenção de me causar danos, pessoais e políticos. Se assim for, então isto é crime”, conclui numa publicação no X. O caso segue agora tramitação administrativa até que seja tomada uma decisão sobre o recurso.

Acontece que Soler foi recentemente investigada na sequência de uma queixa que o agente da polícia local Felanich apresentou contra ela por alegadamente resistir e desobedecer a um agente de autoridade. No entanto, o Tribunal de Instrução n.º 1 de Manacor concordou em encerrar temporariamente e arquivar o caso, por considerar que os factos apresentados não estavam devidamente fundamentados.

A denúncia insere-se num cruzamento de acusações feitas pela governante e pelo autarca no verão passado, na sequência de um relatório escrito pela primeira em que acusava Soler de a ter ameaçado durante as celebrações do festival de Porto Colom VI, a 12 de julho. “Tomei uma taça de vinho a noite toda”, disse ele, falando à mídia depois que a oposição exigiu sua renúncia.

Referência