janeiro 11, 2026
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nomeou o general Kyrylo Budanov, chefe da inteligência militar do país, como seu novo chefe de gabinete.

Esta mudança significativa ocorre num momento particularmente crítico dos quase quatro anos de invasão russa.

O general Budanov substitui Andrii Yermak, ex-assessor do presidente Zelensky, que renunciou em novembro.

A saída de Yermak seguiu-se a uma operação anticorrupção no seu apartamento, investigando alegados subornos no setor energético da Ucrânia.

A remoção de uma figura tão poderosa foi vista como um golpe para o presidente, potencialmente comprometendo a sua estratégia de negociação no meio dos esforços de paz dos EUA.

Aqui está o que você precisa saber sobre Budanov:

Subindo na hierarquia

Budanov lidera a agência de inteligência militar, conhecida pela sigla GUR, desde 2020. Aos 39 anos, é uma das figuras mais reconhecidas e populares do tempo de guerra da Ucrânia, conhecido por ser o arquitecto de muitas operações bem-sucedidas contra activos militares russos, bem como pela sua personalidade independente e enigmática.

Oficial de carreira da inteligência militar, Budanov traz seu conhecimento do campo de batalha para sua nova posição.

Ele ascendeu no sistema de defesa após a anexação ilegal da Crimeia pela Rússia em 2014. Ele também participou de operações especiais e missões de inteligência ligadas aos combates com as forças separatistas apoiadas por Moscou no leste da Ucrânia e na Crimeia antes da invasão em grande escala em fevereiro de 2022. Ele teria sido ferido durante uma dessas operações.

Zelensky escolheu Budanov, oficial de carreira da inteligência militar, para o papel (PA)

Trazendo a guerra para o território controlado pela Rússia

Desde essa invasão, Budanov tornou-se uma face proeminente do esforço de inteligência de Kiev, aparecendo regularmente em entrevistas e briefings que misturam sinalização estratégica com pressão psicológica sobre a Rússia. Ele alertou frequentemente sobre as intenções de longo prazo de Moscovo em relação à Ucrânia e à região, retratando a guerra como uma luta existencial pela condição de Estado do país.

Sob Budanov, o GUR expandiu a sua presença, coordenando informações, sabotagem e operações especiais destinadas a degradar as capacidades militares da Rússia muito além das linhas da frente.

As autoridades culparam a inteligência militar pelas operações que visam estruturas de comando russas, centros logísticos, infra-estruturas energéticas e activos navais, incluindo ataques em profundidade no território russo e em áreas ocupadas da Ucrânia.

Budanov chefiou a agência de inteligência militar, conhecida pela sigla GUR, desde 2020

Budanov chefiou a agência de inteligência militar, conhecida pela sigla GUR, desde 2020 (AFP/Getty)

Alvo da Rússia

O papel e o estatuto público de Budanov fizeram dele um alvo. Ele teria sobrevivido a múltiplas tentativas de assassinato por parte dos serviços de segurança russos. Em novembro de 2023, sua esposa, Marianna, foi hospitalizada em Kiev por envenenamento por metais pesados.

A sua nomeação para chefiar a administração presidencial assinala uma mudança dentro do governo para priorizar a política externa, a defesa e a segurança no meio de crescentes esforços diplomáticos para acabar com a invasão russa. Zelensky diz que um acordo de paz está “90 por cento pronto”, mas alertou que os restantes 10 por cento – que se acredita incluirem questões-chave como o território – “determinariam o destino da paz, o destino da Ucrânia e da Europa”.

Budanov fez parte da delegação que trabalhou com a equipe de negociação dos Estados Unidos. Ele também manteve contato com o lado russo sobre questões como a coordenação do intercâmbio de prisioneiros. Ainda não está claro que papel, se houver, ele assumirá no processo de paz no seu novo papel.

Em seus primeiros comentários após o anúncio da nomeação, Budanov agradeceu a Zelensky por sua confiança.

“Continuo servindo a Ucrânia”, escreveu ele em sua página no Telegram. “Para mim, é uma honra e uma responsabilidade, num momento histórico para a Ucrânia, concentrar-me nas questões extremamente importantes da segurança estratégica do Estado.”

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